O Rio Acre apresentou uma leve redução em seu nível na manhã desta terça-feira (31), saindo da cota de transbordamento, que é fixada em 14 metros, em Rio Branco, capital do Acre. De acordo com dados da Defesa Civil municipal, o manancial marcou 13,88 metros às 9h, recuando 13 centímetros em relação ao dia anterior. Contudo, apesar dessa queda, o rio segue acima da cota de alerta, estabelecida em 13,50 metros, mantendo a população em estado de atenção.
Histórico de transbordamentos e mobilização da Defesa Civil
Na última segunda-feira (30), o Rio Acre transbordou pela terceira vez este ano, ao atingir 14,01 metros às 18h. Essa foi a quarta ocasião em que o manancial ultrapassou a marca de transbordamento em um período de apenas três meses, evidenciando um ciclo de cheias recorrentes na região. Diante dessa situação crítica, a Defesa Civil de Rio Branco iniciou a mobilização de três escolas e um ginásio para abrigar famílias desabrigadas, preparando-se para possíveis evacuações.
O coordenador da Defesa Civil, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que, após uma subida repentina do rio no último domingo (29), o órgão realizou o mapeamento de dez bairros que podem ser os primeiros a ter famílias retiradas. "Estamos preparando as escolas Anice Dib Jatene, Alvaro Rocha, Maria Lucia Marin e mais um ginásio para poder acolher situações de vítimas desabrigadas pela inundação do Rio Acre", afirmou Falcão. Ele destacou que, mesmo após o transbordamento, há uma folga de até 30 centímetros de subida antes que as retiradas obrigatórias comecem, mas o monitoramento é contínuo para antecipar ações.
Variação do nível do rio e impacto das chuvas
Os dados da Defesa Civil mostram uma elevação gradual do nível do Rio Acre ao longo do dia anterior. Às 6h de segunda-feira, o rio marcava 13,60 metros, subindo para 13,75 metros às 9h, 13,80 metros às 10h, 13,85 metros ao meio-dia, 13,90 metros às 15h, e atingindo o pico de 14,01 metros às 18h. Às 21h, o nível se manteve estável, e à meia-noite, registrou uma queda para 13,90 metros. Essa flutuação está diretamente relacionada às fortes chuvas que atingiram a capital acreana.
Segundo levantamento do órgão, choveu quase 50 milímetros entre a sexta-feira (27) e o sábado (28), com registros de 4,60 milímetros na segunda-feira (30) e apenas 0,20 milímetro nesta terça-feira (31). A média de chuva esperada para março era de 276 milímetros, mas até o último sábado (28), já haviam sido acumulados 362 milímetros, superando em mais de 30% a previsão inicial. Esse volume excessivo de precipitações tem sido um fator crucial para as repetidas cheias do Rio Acre.
Bairros mapeados e contexto histórico das enchentes
Os bairros mapeados pela Defesa Civil para possível retirada de famílias incluem Ayrton Sena, Base, Seis de Agosto, Cadeia Velha, Baixada da Habitasa, Aeroporto Velho, Taquari, Cidade Nova, Quinze e Triângulo. Essas áreas são consideradas de alto risco devido à proximidade com o rio e histórico de alagamentos em períodos de cheia.
O histórico de transbordamentos do Rio Acre em Rio Branco revela um padrão preocupante. A primeira cheia ocorreu em 27 de dezembro do ano passado, quando o rio marcou 14,03 metros. A segunda foi registrada em 16 de janeiro, com 14,06 metros às 18h, e a terceira em 29 de janeiro, também às 18h. Após oito dias consecutivos de transbordamento em janeiro, o manancial começou a baixar no dia 24, mas voltou a subir rapidamente, culminando na quarta cheia agora em março.
Em fevereiro, o rio atingiu seu maior nível recente, marcando 15,44 metros no dia 2, o que afetou mais de 12 mil pessoas direta e indiretamente na capital. No dia 9 de fevereiro, após quase um mês acima da cota de atenção, o nível baixou, permitindo que 39 famílias, totalizando 115 pessoas e 26 animais, retornassem para casa após serem abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana. No entanto, fevereiro fechou com volume de chuvas abaixo da média, registrando 114,4 milímetros, equivalente a apenas 38,1% do esperado para o mês.
Monitoramento contínuo e perspectivas futuras
A Defesa Civil mantém um monitoramento rigoroso, a cada uma hora, da pluviometria e do nível do Rio Acre, não apenas em Rio Branco, mas em toda sua extensão. "Também estamos fazendo o monitoramento a cada uma hora relacionado à pluviometria e nível do Rio Acre, não apenas em Rio Branco, mas em toda a sua extensão, verificando as possibilidades de velocidade de queda e de aumento em todos os municípios", destacou o coordenador Cláudio Falcão. Essa vigilância é essencial para prever novas elevações e coordenar respostas emergenciais de forma eficaz.
As cotas estabelecidas pela Defesa Civil para o Rio Acre em Rio Branco são: atenção a partir de 10 metros, alerta em 13,50 metros, e transbordamento a partir de 14 metros. Com o rio atualmente em 13,88 metros, a situação permanece delicada, exigindo preparação constante das autoridades e da comunidade para enfrentar os desafios impostos pelas enchentes recorrentes, que têm impactado significativamente a vida urbana e a segurança da população acreana.



