Período chuvoso em Minas Gerais é o mais letal em duas décadas, segundo a Defesa Civil
O período chuvoso oficial, que se estende de outubro a março, foi registrado como o mais letal dos últimos 20 anos no estado de Minas Gerais, conforme dados divulgados pela Defesa Civil. Os números são alarmantes: 92 mortes confirmadas e aproximadamente 14 mil pessoas desalojadas devido às intensas precipitações.
Municípios em estado de calamidade e emergência
Diante da gravidade da situação, os municípios de Juiz de Fora e Ubá foram obrigados a decretar estado de calamidade pública. Além dessas cidades, outras 204 municípios mineiros entraram em situação de emergência, evidenciando a extensão do desastre em todo o território estadual.
La Niña como causa principal das chuvas intensas
Segundo o professor Wellington Lopes Assis, especialista em clima e docente da faculdade de geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o período de chuvas extremas foi diretamente influenciado pelo fenômeno La Niña. Este evento climático é caracterizado pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que intensifica significativamente as precipitações em diversas regiões do Brasil e do mundo.
O professor explica que a tendência para os meses de abril e maio é de uma estabilização gradual do clima. No entanto, ele alerta para a chegada do fenômeno oposto, o El Niño, que deve trazer calor intenso para a região Sudeste nos próximos meses. "É crucial que os gestores públicos priorizem a criação de áreas verdes e o planejamento de ações preventivas, especialmente para proteger as populações que residem em regiões mais vulneráveis e precárias, minimizando os impactos das mudanças climáticas", destaca Assis.
Tragédia na Zona da Mata: destruição e mortes
Na Zona da Mata mineira, uma sequência de temporais transformou a paisagem em um cenário de devastação completa. Em poucos dias, o acumulado de chuva superou a média histórica, resultando em 65 mortes em Juiz de Fora e oito em Ubá. Quase 2 mil moradias foram completamente destruídas pelas enxurradas.
Em Juiz de Fora, o transbordamento do Rio Paraibuna em múltiplos pontos causou alagamentos severos e desmoronamentos em diversas áreas urbanas. Como medida de segurança, as aulas da rede municipal de ensino foram suspensas, assim como atividades em instituições estaduais, federais e particulares.
Em Ubá, o Rio Ubá também transbordou, inundando completamente a Avenida Beira Rio e contribuindo para as oito fatalidades registradas na cidade.
Impactos na Grande Belo Horizonte
A Região Metropolitana de Belo Horizonte não ficou imune aos temporais. As chuvas provocaram alagamentos extensos, queda de árvores e postes, além de deixar milhares de imóveis sem energia elétrica.
Em Belo Horizonte, uma mulher de 50 anos foi encontrada morta próximo a um bueiro no bairro Horto, após ser arrastada pelas águas durante uma forte chuva. Em Sabará, um homem desapareceu por dias após ser levado por uma enxurrada enquanto tentava ajudar a quebrar o muro de uma casa para facilitar o escoamento da água acumulada. Seu corpo foi localizado no quinto dia de buscas, a 92 quilômetros do local do incidente, no leito do Rio das Velhas, em Jaboticatubas.
Este período chuvoso histórico em Minas Gerais serve como um alerta urgente para a necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente e políticas públicas eficazes de gestão de riscos climáticos, visando proteger vidas e reduzir danos materiais em eventos extremos futuros.



