Governo federal reconhece situação de emergência em municípios acreanos após chuvas devastadoras
Os municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, localizados no interior do Acre, tiveram sua situação de emergência formalmente reconhecida pelo governo federal nesta segunda-feira (23), conforme publicação no Diário Oficial da União. A medida se deve às fortes chuvas que atingiram a região em janeiro deste ano, causando sérios danos à infraestrutura e à população local.
Carnaval cancelado e recursos federais liberados
Em resposta à gravidade da situação, o município de Brasiléia tomou a decisão de cancelar toda a programação oficial do Carnaval para concentrar esforços no atendimento às áreas mais afetadas pela elevação do Rio Acre. Com o reconhecimento federal, ambas as cidades agora têm acesso facilitado a recursos da União destinados a ações de resposta e assistência emergencial.
Os recursos permitirão a implementação de medidas como:
- Ajuda humanitária às famílias afetadas
- Recuperação de áreas danificadas pelas enchentes
- Apoio logístico para restabelecimento da infraestrutura
- Reconstrução de pontes e vias de acesso
Impactos das chuvas e números alarmantes
As chuvas que atingiram a região em janeiro foram particularmente intensas. No dia 27 daquele mês, Brasiléia registrou mais de 143 milímetros de precipitação em apenas 24 horas, volume que normalmente seria esperado para cerca de dez dias. Em um intervalo de apenas uma hora, conforme dados da Defesa Civil Municipal, choveu mais de 100 milímetros.
Os efeitos foram devastadores:
- Ruas completamente alagadas em diversas áreas urbanas
- Transbordamento de igarapés na zona rural
- Queda de pontes em ramais de acesso
- Deslizamento na Rua Ayrton Senna
- Mais de 500 famílias isoladas em comunidades rurais
- Um carro quase levado pela correnteza no bairro Marcos Galvão
Contexto histórico e prejuízos estimados
O prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado (PP), destacou que os prejuízos causados pelo desastre podem ultrapassar R$ 1,5 milhão, impactando diretamente a infraestrutura rural e a economia local. A gestão municipal já iniciou a fase de reconstrução, que inclui a recuperação de mais de 13 pontes, reabertura de acessos e reconstrução de mais de 20 linhas de bueiros.
Este evento se soma a um histórico preocupante de enchentes na região. Em fevereiro de 2024, Brasiléia enfrentou a maior enchente da história do município, quando o Rio Acre atingiu a marca recorde de 15,56 metros, superando a anterior de 15,55 metros registrada em 2015. Naquela ocasião, a área urbana ficou completamente inundada, com quase 4 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.
Panorama estadual e nacional
Com a inclusão de Brasiléia e Epitaciolândia, já são oito municípios acreanos com situação de emergência reconhecida pelo governo federal. A lista inclui Rio Branco, Feijó, Plácido de Castro, Porto Acre, Santa Rosa do Purus e Tarauacá.
Além das duas cidades acreanas, outras 14 municípios em todo o país tiveram emergência reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). No auge das enchentes, em todo o estado do Acre, 14.476 pessoas estavam entre desabrigados e desalojados, com 17 das 22 cidades acreanas decretando situação de emergência.
A situação também afetou pelo menos 23 comunidades indígenas no interior do estado, que sofrem com os efeitos das enchentes e do isolamento causado pela interdição de vias de acesso, incluindo a Ponte Metálica José Augusto que liga Brasiléia a Epitaciolândia.