Distribuição de água potável atinge famílias afetadas pela cheia do Rio Juruá no Acre
Mais de quatro mil galões de água potável estão sendo distribuídos para as famílias afetadas pela cheia do Rio Juruá que não saíram de casa em Cruzeiro do Sul, interior do Acre. A distribuição é realizada pela Defesa Civil Municipal nos bairros alagados pela enchente, garantindo abastecimento alternativo para consumo e uso doméstico.
Contexto da emergência
A cheia do manancial afeta bairros e comunidades do município, levando 59 famílias a abrigos montados na cidade e outras três a casas de parentes. No total, cerca de 28.350 pessoas foram afetadas, direta ou indiretamente, o que totaliza 7.087 famílias em 12 bairros da zona urbana, 15 comunidades rurais e três vilas. Em razão desta situação, o governo estadual decretou emergência no domingo (5).
Situação atual do rio
Nesta quarta-feira (8), o Rio Juruá segue em vazante e chegou a 13,39 metros na medição das 6h. Em 24 horas, o manancial reduziu 19 centímetros, mas as famílias desabrigadas continuam aguardando liberação da Defesa Civil para retornarem para casa. Esse retorno deve ocorrer apenas quando o rio sair da cota de transbordo, que é de 13 metros.
Distribuição de água potável
A prefeitura informou que, na segunda (6), foram entregues 1,1 mil galões de água mineral nos bairros do Miritizal de Cima, Várzea, Beiradão do Rio e Comunidade do Laguinho. Segundo a gestão da cidade, já foram distribuídos 4,4 mil galões em diversos bairros afetados pela enchente.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, Júnior Damasceno, a entrega de água potável para as famílias deve continuar até este fim de semana. "Vários bairros já foram contemplados, como o Miritizal, Lagoa, Boca do Moa, Estirão do Remanso, Olivença, Humaitá do Moa e demais comunidades afetadas pela inundação. A entrega de água potável vai se estender até o final desta semana com as equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiro", informou.
Retorno para casa
Embora o rio esteja em redução, as famílias que estão em abrigos ainda não têm previsão de retorno para a casa. No entanto, outras permaneceram mesmo diante dos riscos. Este é o caso do aposentado Manoel Edson, do bairro da Lagoa, um dos mais afetados pela cheia. "Se eu sair daqui, não encontro nem a telha", afirmou.
A diarista Gleiciane Silva também mora no bairro da Lagoa com o filho de 6 anos e, há mais de cinco dias, convive com água dentro de casa. Ela precisou encontrar meios para elevar a geladeira, o fogão, a cama e outros itens de casa para evitar prejuízos. "É porquê não tem para onde ir, eu estava sem dinheiro até para pagar carro e nem para comprar uma água eu tinha. Então, era ficar aqui mesmo. Deus me livre, já chorei tanto", contou, emocionada.
Impactos da cheia
A cota de transbordo foi ultrapassada na última segunda-feira (30) e o manancial está nesta situação há mais de uma semana. Na última sexta (3), o rio havia registrado 14,10 metros e, naquela ocasião, 19,6 mil pessoas estavam afetadas. Esta já é a quarta vez que o rio transborda somente este ano.
A remoção dos moradores teve início na tarde de terça (31). No abrigo é fornecido café da manhã, almoço, jantar e atendimento social. Além da remoção para os abrigos, também foi feita a suspensão da energia elétrica para 186 famílias. O abastecimento de água potável também foi interrompido.
"As famílias são afetadas de diversas formas, o posto de saúde da localidade para de funcionar, as escolas também param de funcionar, as vias de acesso ficam inundadas", informou o diretor de desastre da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, Iranilson Neri.
Decreto de emergência
Devido às cheias de rios em várias regionais do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE) do último domingo (5). O decreto cita emergência de nível 2 e abrange as cidades de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro.
Após a publicação, a medida segue para reconhecimento pelo governo federal. Estes municípios estão com os respectivos rios em situação de emergência, atingindo a cota de alerta ou transbordamento, ou em estado de atenção por receberem influências de outros mananciais.
Histórico das cheias
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros.
No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável.
A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais. Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural.



