Cheia do Rio Juruá obriga famílias a deixarem casas e buscarem abrigos em Cruzeiro do Sul
Com a constante subida do nível do Rio Juruá, que registrou impressionantes 13,85 metros nesta quarta-feira (1º), as primeiras famílias atingidas pelas águas do manancial já começaram a ser levadas para os abrigos montados pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Em comparação com o dia anterior, houve um aumento significativo de 24 centímetros, intensificando a situação de emergência.
Nível de alerta máximo ultrapassado e impacto na população
O nível de alerta máximo do manancial é de 13 metros, marca esta ultrapassada na segunda-feira (30). Atualmente, um total de 1.650 famílias e aproximadamente 6,6 mil pessoas estão afetadas pela cheia, que atinge, direta ou indiretamente, 11 bairros da cidade, outras 12 comunidades rurais e três vilas que estão sendo monitoradas de perto pela Defesa Civil municipal.
Três famílias da comunidade Boca do Moa e do bairro da Várzea já foram retiradas de suas casas devido à cheia do rio. Duas destas estão abrigadas na Escola Municipal Rita de Cássia, localizada no bairro do Cruzeirão, enquanto a outra foi para casa de parentes. Ao todo, 15 pessoas já estão no local disponibilizado pela gestão municipal, que tem capacidade para receber até sete famílias.
Início das remoções e suporte oferecido
A remoção das famílias teve início na tarde dessa segunda-feira (31). No abrigo, serão fornecidos café da manhã, almoço, jantar e atendimento social para garantir o bem-estar dos desabrigados. Além da remoção das famílias para os abrigos, também foi feita a suspensão da energia elétrica em 30 residências como medida de segurança preventiva.
Outros abrigos preparados e suspensão de aulas
Além da escola Rita de Cássia, também foram definidos como abrigos pela prefeitura, caso o número de desabrigados continue subindo:
- Escola Marcelino Champagnat, no bairro João Alves
- Escola Padre Arnould, na AC-405, bairro Nossa Senhora das Graças
- Escola Corazita Negreiros, no bairro Telégrafo
- Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal
As aulas nestas unidades serão suspensas assim que começarem a receber as famílias atingidas pelo aumento das águas, priorizando a segurança e o acolhimento da comunidade.
Rios afetados e áreas impactadas
A Defesa Civil informou ainda que os rios Croa, Juruá Mirim e Valparaíso também estão afetados pelo aumento das águas, ampliando a extensão do problema. Os locais atingidos pelas águas na zona urbana incluem:
- Remanso
- Várzea
- Olivença
- Mitirizal
- Beira Rio
- Lagoa
- Manoel Terças
- Cruzeirinho
- São Salvador
- Saboeiro Centro
Já as comunidades rurais afetadas são: Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz, Lago do Sacado, Simpatia e Ramal do Escondido. As vilas impactadas são: Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.
Contexto histórico e cheias recentes
Historicamente, o período de maior ocorrência de cheias em Cruzeiro do Sul é entre o fim de fevereiro e o início de março, mas há registros também ao longo de abril. Nos últimos anos, as primeiras retiradas de famílias costumam ocorrer quando o rio atinge entre 13,50 metros e 13,60 metros, indicando a gravidade da situação atual.
No dia 17 de janeiro deste ano, o município passou por uma cheia que afetou cerca de 1.650 famílias, o que correspondia a, aproximadamente, 6,6 mil pessoas. Deste total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e, consequentemente, sem acesso à água potável. Cinco dias depois, no dia 22, o manancial saiu do cenário de alerta máximo.
Já no dia 31 de janeiro, o Rio Juruá também ultrapassou a cota de transbordo ao atingir 13,12 metros. Dias depois, em 2 de fevereiro, o nível chegou a 13,49 metros e também manteve o município em alerta máximo, segundo a Defesa Civil Municipal. Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente pela cheia.
Ao todo, 1.650 famílias enfrentaram prejuízos causados pela inundação, tanto na zona urbana quanto na zona rural do município. Além disso, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 20 de janeiro e a publicação foi feita seis dias depois, após uma sequência de chuvas intensas que provocou o transbordamento dos rios da região e afetou a rotina de moradores da zona urbana e rural.
A última enchente ocorreu no dia 24 de fevereiro, há mais de um mês, quando o manancial marcou 13,17 metros e atingiu nove bairros e oito comunidades rurais, demonstrando a recorrência deste problema ambiental na região.



