Barragem em Porteirinha permanece em risco após chuvas intensas; 114 pessoas evacuadas
Barragem em Porteirinha em risco após chuvas; 114 evacuados

Barragem de Lages em Porteirinha segue em alerta máximo após chuvas torrenciais

O risco iminente de rompimento da Barragem de Lages, localizada no município de Porteirinha, no Norte de Minas Gerais, mantém as autoridades em estado de alerta contínuo. De acordo com informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros nesta quarta-feira (4), os 114 moradores evacuados preventivamente da área de risco ainda não podem retornar às suas residências, devido à situação crítica que persiste na estrutura do reservatório.

Área crítica delimitada e evacuação preventiva

Na última segunda-feira (2), o Corpo de Bombeiros já havia estabelecido uma zona crítica de 85 hectares, abrangendo 46 residências onde viviam 77 pessoas. Como medida de segurança adicional, outras 37 pessoas que residiam no entorno imediato desta área também foram retiradas de suas casas, totalizando 114 evacuados que permanecem afastados do local enquanto o perigo não é completamente afastado.

O tenente Kollek Pereira, do Corpo de Bombeiros, explicou que diversas agências estão envolvidas nos trabalhos de monitoramento e apoio à população, incluindo a Polícia Militar, Defesa Civil Estadual e Municipal, e a Prefeitura de Porteirinha. "Essas agências realizaram algumas ações importantes, como uma reunião com os moradores que foram evacuados da área de risco, mostrando a importância de que eles não retornem para as suas residências, considerando ainda o risco iminente existente", afirmou o oficial.

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Chuvas intensas causam danos estruturais

A situação de emergência foi desencadeada pelas chuvas intensas que atingiram a região Norte de Minas Gerais entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março. Em Porteirinha, o acumulado pluviométrico chegou a impressionantes 165 milímetros neste período, causando transbordamento da água sobre a crista da barragem.

Este evento resultou em danos significativos a partes da estrutura e do vertedouro da Barragem de Lages, elevando o nível de preocupação das autoridades e especialistas que monitoram a situação. O Governo Federal já reconheceu oficialmente a situação de emergência devido ao risco iminente de rompimento do reservatório.

Posto de Comando e envolvimento de múltiplas agências

Para coordenar as ações de resposta à crise, foi estabelecido um Posto de Comando que concentra o planejamento, a coordenação e a tomada de decisões estratégicas relacionadas à barragem. Este centro de operações tem recebido a presença de diversas instituições, incluindo o Ministério Público de Minas Gerais e o Núcleo de Emergências Ambientais (NEA), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad).

Conforme informado pelo tenente Pereira, a Semad deverá emitir uma recomendação formal aos responsáveis pela barragem para que sejam implementadas medidas urgentes visando mitigar os riscos existentes na estrutura. Além disso, especialistas da Cemig também foram deslocados até o local para auxiliar na avaliação técnica e na busca por soluções para o problema.

Histórico da barragem e responsabilidades

A Barragem de Lages foi construída em 1983 pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e atualmente é utilizada pela Copasa para captação e tratamento de água, que é distribuída para moradores da comunidade de Tanque e áreas adjacentes.

A Defesa Civil Municipal informou que uma vistoria técnica com participação da Codevasf está programada para ocorrer, com o objetivo de avaliar detalhadamente as condições da estrutura e determinar as providências que deverão ser adotadas. A Codevasf, por sua vez, destacou em comunicado que disponibilizou seu corpo técnico para realizar a visita à barragem, "com o objetivo de avaliar as condições da estrutura e prestar apoio técnico no âmbito de cooperação estabelecida entre as partes".

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A companhia ressaltou ainda que "as ações de gestão, operação e manutenção da Barragem de Lages são de competência do município, ente empreendedor com o qual a Codevasf mantém Termo de Compromisso desde 1989". Esta declaração reforça a complexidade institucional envolvida na gestão da estrutura em risco.

O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) foi contatado para esclarecer questões sobre as responsabilidades em relação à barragem, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem. A situação permanece sob monitoramento constante enquanto as autoridades trabalham para estabilizar a estrutura e garantir a segurança da população afetada.