Amazonas em estado de alerta: cheias dos rios colocam 12 municípios em emergência e afetam mais de 112 mil pessoas
A Defesa Civil do Amazonas divulgou nesta quarta-feira (1º) um boletim alarmante sobre a situação das cheias no estado. Doze dos 62 municípios amazonenses estão oficialmente em estado de emergência devido ao risco iminente de inundações, com impactos diretos já sendo sentidos por mais de 112 mil pessoas. As cidades afetadas distribuem-se por diferentes calhas de rios e enfrentam consequências graves do aumento progressivo dos níveis das águas.
Municípios em situação crítica e classificação de emergência
De acordo com o Boletim Operação Cheia, as seguintes cidades encontram-se em estado de emergência: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé, Itamarati, Juruá, Lábrea, Santo Antônio do Içá, Tabatinga e Tapauá. Esta classificação indica que essas localidades já sofrem com alagamentos em áreas urbanas e rurais, dificuldades de acesso a comunidades isoladas e danos significativos à infraestrutura local.
O levantamento detalhado da Defesa Civil revela ainda que sete municípios permanecem em estado de alerta, quinze em estado de atenção e vinte e oito em situação de normalidade – incluindo a capital Manaus. O órgão estadual mantém monitoramento constante dos níveis dos rios em todo o território amazonense e presta apoio técnico às prefeituras na implementação de medidas de resposta e assistência às famílias afetadas.
Previsões preocupantes para o Rio Negro em Manaus
Nesta mesma quarta-feira, o Rio Negro registrou 25,50 metros em Manaus, marca 57 centímetros inferior à do mesmo período do ano anterior. Contudo, as projeções do Serviço Geológico do Brasil apontam para um cenário preocupante para 2026. Conforme o 1º Alerta de Cheias do Amazonas para 2026, divulgado na terça-feira (31), há 92% de probabilidade de o Rio Negro ultrapassar a cota de inundação de 27,50 metros.
As previsões indicam que o rio deverá atingir aproximadamente 28,3 metros, com variações possíveis entre 27,55 e 29,07 metros. O risco de alcançar a cota de inundação severa (29 metros) é estimado em 12%, enquanto a chance de superar o recorde histórico de 30,02 metros registrado em 2021 permanece em apenas 1%. O Serviço Geológico espera que o processo de cheia continue até meados de junho, seguindo o padrão sazonal amazônico que inicia entre outubro e novembro após o período de seca.
Direito ao saque do FGTS por calamidade pública
Com o reconhecimento oficial da situação de emergência, moradores de Eirunepé, Itamarati e Boca do Acre adquiriram o direito de solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por motivo de calamidade. A Caixa Econômica Federal informou que trabalhadores residentes nas áreas afetadas podem retirar até R$ 6.220 desde que possuam saldo disponível e não tenham realizado saque pelo mesmo motivo nos últimos doze meses.
O processo de solicitação pode ser realizado digitalmente através do aplicativo oficial do FGTS, eliminando a necessidade de deslocamento até agências físicas. Os documentos necessários incluem identidade oficial, comprovante de residência atualizado e uma fotografia do solicitante segurando o documento de identificação. O prazo final para requerer o benefício estabelece-se até 11 de junho de 2026, oferecendo um alívio financeiro crucial para famílias enfrentando as consequências das inundações.
A situação no Amazonas evidencia os desafios recorrentes enfrentados pela população ribeirinha durante o ciclo anual das cheias, com autoridades mantendo vigilância constante e implementando medidas de apoio às comunidades mais vulneráveis.



