Alerta de cheia no Amazonas: SGB prevê rios acima da cota de inundação em 2026
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou, nesta terça-feira (31), o primeiro Alerta de Cheias do Amazonas para 2026, apontando que os rios devem ultrapassar a cota de inundação em Manaus e Manacapuru durante o período de cheia deste ano. O alerta foi apresentado com aproximadamente 75 dias de antecedência em relação ao pico esperado, permitindo um planejamento mais eficaz de ações preventivas por parte das autoridades.
Previsões detalhadas por município
De acordo com o órgão federal, as previsões específicas para cada localidade são as seguintes:
- Manaus: O rio Negro deve atingir cerca de 28,3 metros, com variação entre 27,55 m e 29,07 m. A probabilidade de superar a cota de inundação (27,50 m) é de 92%, enquanto o risco de alcançar a cota de inundação severa (29 m) é de 12%. A chance de ultrapassar o recorde histórico de 30,02 m, registrado em 2021, é de apenas 1%.
- Manacapuru: O rio Solimões pode chegar a aproximadamente 19,40 metros, variando entre 18,59 m e 20,21 m. A probabilidade de atingir a cota de inundação (18,20 m) é de 98%, e para a cota severa (19,60 m) é de 37%. A possibilidade de superar a máxima histórica de 20,86 m é inferior a 1%.
- Itacoatiara: O rio Amazonas pode alcançar 13,90 metros, com intervalo entre 13,42 m e 14,39 m. A probabilidade de atingir a cota de inundação (14 m) é de 39%, e para a inundação severa (14,20 m) é de 20%. A chance de ultrapassar o recorde de 15,20 m é menor que 1%.
- Parintins: A previsão indica um nível de 8,16 metros, variando entre 7,65 m e 8,67 m. A probabilidade de alcançar a cota de inundação (8,43 m) é de 24%, e a de superar níveis severos (9,30 m) ou a máxima histórica (9,47 m) é inferior a 1%.
Cenário considerado dentro da normalidade
Segundo André Martinelli, pesquisador do SGB e gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus, apesar das previsões preocupantes para Manaus e Manacapuru, o cenário atual indica uma cheia dentro da normalidade. “O ciclo 2025/2026 tem mostrado forte variabilidade. No início do processo, houve a influência do La Niña, que refletiu em níveis no limite superior da faixa de normalidade. A partir de janeiro de 2026, iniciou-se uma transição para a neutralidade ENOS, trazendo os níveis para valores muito próximos da média nas principais estações monitoradas”, explicou o especialista.
A neutralidade ENOS refere-se ao período em que as temperaturas do Oceano Pacífico estão próximas da média, sem influência dominante de fenômenos como El Niño ou La Niña. Este fator contribui para a estabilização dos níveis dos rios, embora os alertas permaneçam ativos.
Planejamento e monitoramento contínuo
As informações contidas no alerta são utilizadas pelas Defesas Civis municipal e estadual para planejar medidas de prevenção e reduzir os impactos causados por eventos extremos. A antecipação do aviso permite a implementação de estratégias mais eficientes, como a realocação de comunidades em áreas de risco e o reforço da infraestrutura local.
Os próximos boletins do SGB estão previstos para os dias 30 de abril e 29 de maio, mantendo o monitoramento constante da situação. Dados atualizados sobre os níveis dos rios podem ser acompanhados em tempo real pela plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE), garantindo transparência e acesso à informação para a população e autoridades.
Este alerta reforça a importância do trabalho contínuo do Serviço Geológico do Brasil na previsão e mitigação de desastres naturais, especialmente em regiões vulneráveis como a Amazônia, onde as cheias são eventos recorrentes que demandam atenção e preparação constantes.



