Economia da Ucrânia enfrenta pior crise desde 2022 com ataques à energia e veto húngaro
Ucrânia: economia em pior crise desde início da guerra com Rússia

Economia da Ucrânia atravessa momento mais crítico desde início da guerra com Rússia

A economia da Ucrânia está enfrentando sua pior crise desde o primeiro ano da invasão russa, em 2022, com impactos severos causados pelos constantes ataques contra o sistema de energia do país e pelo veto da Hungria a um crucial empréstimo militar da União Europeia. O índice mensal de recuperação da atividade empresarial, medido pelo Instituto de Pesquisa Econômica em Kiev, ficou negativo em fevereiro pela primeira vez desde 2023, indicando que mais empresas relatam que seus negócios estão piores do que no ano anterior.

Ataques russos intensificam crise energética e humana

No último domingo, a Rússia lançou um massivo ataque contra a infraestrutura energética ucraniana, utilizando dezenas de drones e mísseis balísticos e de cruzeiro, resultando na morte de pelo menos uma pessoa. Os alvos incluíram a capital Kiev e seus arredores, o importante porto de Odessa, no Mar Negro, e diversas cidades do centro do país, conforme relataram autoridades locais.

Desde outubro do ano passado, a Rússia tem intensificado significativamente seus ataques ao sistema de energia da Ucrânia, causando apagões generalizados durante o rigoroso inverno, o que agrava ainda mais a situação humanitária e econômica. A crise se aprofundou após a Hungria manter, nesta segunda-feira, seu veto a um empréstimo militar de 90 bilhões de euros da União Europeia, destinado a apoiar militarmente Kiev.

Custo da reconstrução ultrapassa US$ 588 bilhões

Um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Mundial, em colaboração com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano, revela que a reconstrução da economia e da infraestrutura da Ucrânia, caso a guerra terminasse agora, exigiria um investimento de US$ 588 bilhões (aproximadamente R$ 3 trilhões) ao longo de dez anos. Este valor representa um aumento de 12% em relação à estimativa do ano anterior, impulsionado principalmente por um salto de 21% nos danos ao sistema energético.

A primeira-ministra ucraniana, Iulia Sviridenko, destacou em nota que o custo da reconstrução é quase três vezes o PIB nominal projetado para o país em 2025, enfatizando que o Produto Interno Bruto só poderá retomar um crescimento sustentável com um cessar-fogo. O setor mais afetado pela guerra é o de habitação, com 14% de destruição ou danos, totalizando US$ 61 bilhões (cerca de R$ 316 bilhões).

Perspectivas de negociações e cenário político

Nesta terça-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky expressou a possibilidade de uma nova rodada de negociações diretas com a Rússia ocorrer na Suíça durante o fim desta semana. No entanto, ele reiterou sua descrença de que Vladimir Putin esteja genuinamente interessado em buscar a paz, o que mantém as incertezas sobre uma resolução rápida do conflito.

A combinação de ataques militares, crise energética e obstáculos políticos continua a pressionar a economia ucraniana, com perspectivas de recuperação dependentes de fatores externos e da evolução do cenário bélico. A comunidade internacional observa atentamente os desenvolvimentos, enquanto a população ucraniana enfrenta desafios diários de sobrevivência e reconstrução.