Rubio na Itália para encontros com papa e premiê
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está na Itália para uma série de reuniões de alto nível com o papa Leão XIV, no Vaticano, e com a primeira-ministra Giorgia Meloni. A visita ocorre em meio a uma crise diplomática desencadeada por recentes ataques do presidente Donald Trump ao líder da Igreja Católica. A viagem tem como objetivo "reconciliar os laços" entre as partes.
Declarações de Trump contra o papa
Em entrevista ao canal conservador Salem News Channel, Trump insinuou que Leão XIV estaria colocando muitos católicos em perigo, sugerindo que o pontífice seria favorável a um possível arsenal nuclear para o Irã. "Imagino que, se dependesse dele, seria perfeitamente aceitável que o Irã possuísse uma arma nuclear", afirmou o presidente. O papa respondeu sem citar diretamente Trump, reforçando que a Igreja Católica "se manifesta contra todas as armas nucleares há anos".
Reação do Vaticano
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, defendeu a posição do papa, afirmando que ele segue seu caminho de pregar o Evangelho e a paz, independentemente das críticas. Leão XIV, que completa um ano de papado nesta sexta-feira, manteve perfil discreto nos primeiros meses, mas emergiu como crítico declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
Impacto no eleitorado republicano
Os ataques de Trump têm afastado parte do eleitorado católico americano, que representa cerca de 20% dos republicanos. Batizado católico, Rubio tenta remediar a crise. As eleições de meio de mandato em novembro podem ser afetadas.
Cuba na agenda do Vaticano
Além das tensões com o Irã, as conversações devem incluir a situação em Cuba. Leão XIV desaprovou as políticas anti-imigração de Trump e pediu diálogo entre EUA e Cuba. O Vaticano atuou como mediador, e em 2025 Cuba libertou 553 prisioneiros graças a um acordo com a Santa Sé. Trump rescindiu acordos anteriores, recolocando Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo.
Encontro com Meloni
A crise também afetou as relações com a primeira-ministra Giorgia Meloni, antes considerada aliada de Trump. Meloni chamou as palavras do presidente de "inaceitáveis", e Trump a acusou de "falta de coragem". A Itália teme a retirada de tropas americanas do país, que atualmente conta com cerca de 12 mil militares dos EUA.
Pauta com governo italiano
As reuniões com autoridades italianas abordarão segurança compartilhada, Otan e bases militares. Em março, a Itália negou o uso da base de Sigonella para uma operação dos EUA no Oriente Médio. Outros temas incluem o Líbano, a missão da ONU e a ameaça de tarifas dos EUA sobre carros europeus.



