Irã afirma ter impedido entrada de navios dos EUA no estreito de Hormuz
A Marinha do Irã informou nesta segunda-feira (4) que impediu a entrada de navios de guerra dos Estados Unidos no estreito de Hormuz ao emitir um "aviso rápido e decisivo", conforme divulgado pela TV estatal. O Comando Central dos EUA, que está bloqueando portos iranianos para pressionar Teerã, declarou que nenhuma embarcação do país foi atingida.
Versões conflitantes sobre ataques
A agência semioficial iraniana Fars noticiou que dois mísseis teriam atingido um navio de guerra americano próximo ao porto de Jask, na entrada sul do estreito, onde a Marinha iraniana mantém uma base. No entanto, Washington negou a informação. Um funcionário de alto escalão iraniano afirmou à Reuters que o Irã disparou um tiro de advertência. O Comando Central dos EUA informou que escoltou dois navios destróieres da Marinha americana, equipados com mísseis guiados, pelo estreito.
"As forças americanas estão ativamente auxiliando os esforços para restabelecer a passagem de navios comerciais. Como primeiro passo, duas embarcações mercantes de bandeira dos EUA atravessaram com sucesso o estreito de Hormuz e seguem com segurança em sua rota", afirmou o comunicado divulgado. Em mais uma disputa de versões, Teerã declarou, após o anúncio, que nenhum navio mercante passou pela via marítima.
Emirados Árabes acusam Irã de ataque com drones
Os Emirados Árabes Unidos acusaram Teerã de atacar com drones um petroleiro ligado à ADNOC, petrolífera do país, que tentava atravessar o estreito. Segundo o governo, a embarcação estava vazia e nenhuma pessoa ficou ferida. "Os Emirados Árabes Unidos enfatizam a necessidade de o Irã interromper esses ataques, garantir seu pleno compromisso com a cessação imediata de todas as hostilidades e a reabertura completa e incondicional do estreito de Hormuz", acrescentou o Ministério das Relações Exteriores. O país também afirmou ter interceptado três drones lançados pelo Irã em um ataque nesta segunda-feira; um quarto caiu no mar. Um militar iraniano, citado pela televisão estatal, afirmou que "o Irã não tinha planos de atacar os Emirados Árabes Unidos".
Reação internacional
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os ataques iranianos como "inaceitáveis" e afirmou que foram "uma clara violação da soberania e do direito internacional". Ela disse que a UE trabalhará com seus parceiros "na desescalada e na resolução diplomática, para pôr fim às ações brutais do regime iraniano, tanto contra seus vizinhos quanto contra seu próprio povo".
O Irã havia alertado as forças de Washington para não entrarem na via marítima depois que o presidente Donald Trump disse no domingo (3) que os EUA iriam guiar os navios retidos em Hormuz para fora da via marítima.
Navio sul-coreano atacado
A Coreia do Sul informou que uma embarcação com bandeira do país foi atacada em Hormuz, segundo a agência de notícias estatal Yonhap. Um porta-voz da empresa de navegação sul-coreana HMM disse à Reuters que um incêndio começou na casa de máquinas de um de seus navios graneleiros, acrescentando que a causa ainda estava sob investigação. Ele afirmou que não há relatos de mortos ou feridos. Trump comentou em uma publicação nas redes sociais que o navio sul-coreano não fazia parte da operação e que talvez devesse se juntar aos esforços dos EUA para proteger a movimentação de navios perto do Irã.
Declarações de Trump e militares
O presidente estimou que as forças americanas afundaram sete lanchas rápidas iranianas. Os militares dos EUA, porém, confirmaram a destruição de seis pequenas embarcações. Um militar iraniano, citado pela televisão estatal, afirmou posteriormente que "a declaração dos EUA afirmando ter afundado vários navios de guerra iranianos é falsa".
Trump deu poucos detalhes do plano, mas disse que países de todo o mundo pediram ajuda aos EUA. "Pelo bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, dissemos a esses países que nós vamos guiar seus navios de forma segura para fora dessas águas", afirmou Trump em sua rede social. Em entrevista à Fox News, o americano disse ainda que, se o Irã atacar embarcações dos EUA que estiverem guiando navios pelo estreito, será "varrido da face da Terra".
Operação militar e resposta iraniana
O Comando Central dos EUA afirmou que apoiará a operação de resgate com 15 mil militares e mais de 100 aeronaves baseadas em terra e no mar, além de navios de guerra e drones. Em resposta, o Irã instruiu navios comerciais e petroleiros a evitar qualquer movimento que não fosse coordenado com as forças militares iranianas. "Temos dito repetidamente que a segurança do estreito de Hormuz está em nossas mãos e que a passagem segura de embarcações precisa ser coordenada com as Forças Armadas", disse Ali Abdollahi, chefe do comando militar conjunto do Irã, em comunicado. "Advertimos que quaisquer forças armadas estrangeiras, especialmente o agressivo Exército dos EUA, serão atacadas caso tentem se aproximar e entrar no estreito de Hormuz."
O Irã bloqueou quase todo o transporte marítimo de entrada e saída do Golfo desde o início da guerra, fazendo os preços do petróleo dispararem. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que os eventos em Hormuz mostraram que não há solução militar para a crise. O chanceler afirmou que as negociações estão progredindo com a mediação do Paquistão e alertou os EUA e os Emirados Árabes Unidos para que não se deixem arrastar para um "atolamento causado por pessoas mal-intencionadas".
Os disparos efetuados hoje pela marinha iraniana, incluindo de mísseis de cruzeiro, contra navios militares norte-americanos no estreito de Ormuz foram de advertência, informou a televisão estatal, citando um comunicado militar.



