Copa do Mundo 2026: impasses na Índia e China ameaçam transmissão global
Impasses na Índia e China ameaçam transmissão da Copa 2026

A menos de cinco semanas do pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026, um cenário incomum preocupa a indústria esportiva: dois dos maiores mercados consumidores do planeta, Índia e China, ainda não têm transmissão garantida para o torneio. A estreia está marcada para 11 de junho, e o impasse nas negociações de direitos de mídia levanta dúvidas sobre o alcance global do evento.

Negociações na Índia

De acordo com a Reuters, a situação na Índia é marcada por um descompasso significativo entre o valor pedido pela FIFA e as ofertas apresentadas. Uma joint venture entre Reliance e Disney teria oferecido cerca de US$ 20 milhões pelos direitos de transmissão, cifra muito abaixo do que a entidade máxima do futebol considera adequado. Fontes indicam que a FIFA já reduziu sua expectativa inicial, que girava em torno de US$ 100 milhões para os ciclos de 2026 e 2030, mas ainda não vê a proposta como satisfatória.

Outros players relevantes no mercado indiano também recuaram. A Sony, que chegou a negociar, optou por não formalizar uma proposta, avaliando que o investimento não faria sentido financeiro. O pano de fundo ajuda a explicar: diferentemente do críquete, esporte dominante no país, o futebol ainda ocupa espaço restrito no mercado publicitário local. Além disso, o cenário econômico pressionado e a menor expectativa de audiência, já que os jogos ocorrerão em fusos horários desfavoráveis ao público indiano, agravam a situação.

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Silêncio na China

Na China, o silêncio é ainda mais eloquente. Até agora, nenhum acordo foi anunciado oficialmente, algo raro considerando o histórico recente. Em edições anteriores, como 2018 e 2022, a emissora estatal CCTV já havia garantido os direitos com antecedência confortável, inclusive ativando campanhas promocionais semanas antes do torneio. Desta vez, as negociações seguem sem desfecho público.

Importância dos mercados

O paradoxo é evidente: juntos, Índia e China representam uma fatia expressiva da audiência global. Na Copa de 2022, os dois países somaram mais de 22% do alcance digital mundial, além de participação relevante na TV linear. A própria FIFA já confirmou acordos em mais de 175 territórios, mas mantém as tratativas com os dois gigantes asiáticos sob sigilo, reforçando apenas que as conversas continuam em andamento.

Clima de tensão

Nos bastidores, executivos do setor tratam o momento como uma partida tensa. “Estamos no fim de um jogo de xadrez, com poucos movimentos restantes”, resumiu um executivo da indústria publicitária indiana à Reuters. A metáfora traduz bem o clima: cada lado calcula riscos e ganhos enquanto o relógio avança. Se por um lado a FIFA busca preservar o valor global de seu principal produto, por outro as empresas de mídia demonstram cautela diante de um cenário de audiência incerta e receitas publicitárias mais voláteis. O resultado é um impasse que, se não resolvido rapidamente, pode deixar milhões de torcedores sem acesso ao maior espetáculo do futebol, justamente em dois dos mercados mais populosos e estratégicos do planeta.

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