Reencontro emocionante após incêndio no Paraná
O Fantástico acompanhou um momento carregado de emoção: o reencontro entre a advogada Juliane, que sobreviveu a um grave incêndio em um prédio no Paraná, e o técnico Lincoln, que participou ativamente do resgate. O encontro aconteceu meses após o acidente, quando Juliane já estava em fase avançada de recuperação.
Pedido de desculpas e agradecimento
Visivelmente emocionado, Lincoln fez um pedido de desculpas tocante à advogada. "Eu tentei pegar você [...] Desculpa por não ter pegado você", disse ele, demonstrando o peso que carregava desde o incidente. Juliane, por sua vez, respondeu com gratidão, destacando a importância fundamental da atitude corajosa do técnico. "Imagina, muito obrigada. Você salvou a minha mãe", afirmou.
Cena marcante do resgate
Um dos momentos mais intensos do incêndio foi a conversa entre Juliane, que estava equilibrada sobre o suporte do ar-condicionado, e Lincoln, posicionado na janela do apartamento do andar inferior, com o corpo para fora, tentando auxiliá-la. Trabalhando em conjunto, eles conseguiram salvar a vida de Sueli, mãe da advogada. "Muito obrigada. Eu devo a minha vida a ele e a minha filha. Porque pra mim a gente ia morrer queimado ali", declarou Sueli, emocionada.
Detalhes do incêndio e resgate
A advogada relata que se recorda de todos os momentos daquele fatídico 15 de outubro. Ela acordou com os gritos do primo Pietro, de apenas 4 anos, que já alertava sobre o fogo. As chamas começaram na cozinha e se espalharam rapidamente pelo imóvel, localizado no 13º andar do prédio.
- Juliane, o primo e a mãe estavam no apartamento durante o incidente.
- Impossibilitada de sair pela porta principal, que estava trancada, a advogada subiu no suporte do ar-condicionado.
- Ela colocou o primo na janela do apartamento de baixo, pedindo que ele ficasse quieto e segurasse na rede de proteção.
Por uma coincidência extraordinária, a moradora do apartamento inferior, Seliane, que havia saído de casa, resolveu voltar para pegar uma bolsa. Num impulso inexplicável, ela abriu a janela e encontrou a criança. "Eu abro a janela não sei por quê, não consigo explicar por quê. E a criança estava aqui, toda escura, cheia de fumaça", contou.
Ação dos heróis
O técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e o pedreiro Tiago Gomes, que estavam nas proximidades do prédio, correram para ajudar no resgate e foram fundamentais para salvar Sueli. Juliane lembra que a mãe chegou a pensar que iria morrer, ao que ela respondeu: "Pula que eu te seguro". A advogada conseguiu segurar Sueli por um tempo, até finalmente conseguir direcioná-la para um dos homens que auxiliavam do lado de fora.
A própria Juliane tentou descer pelo suporte do ar-condicionado, mas não tinha apoio adequado. Ela foi puxada de volta para o apartamento por um bombeiro. Na tentativa de sair do imóvel, tanto Juliane quanto o sargento Ademar de Souza Migliorini foram atingidos pelas chamas. O militar sofreu queimaduras de terceiro grau e ficou internado por cinco dias.
Tratamento intensivo e recuperação
Juliane foi atendida inicialmente na rede pública de Cascavel e depois transferida de helicóptero para Londrina, em estado grave. No Hospital Universitário de Londrina, ela permaneceu três meses na UTI. Seu caso foi descrito como um dos mais complexos da história da unidade, que conta com um centro especializado com mais de 100 profissionais e 16 vagas para pacientes.
A cirurgiã plástica Xenia Tavares explicou que a advogada chegou com queimaduras extensas, principalmente nos membros inferiores, exigindo um planejamento minucioso para obter pele suficiente para os procedimentos. Juliane passou por quase 20 intervenções cirúrgicas, incluindo enxertos, transplante de pele e raspagens. Ela ficou mais de um mês em coma induzido, mas com o apoio dedicado da equipe médica, iniciou sua recuperação.
Desafios contínuos
Mesmo após receber alta hospitalar, o tratamento de Juliane continua, trazendo desafios diários. "[Minha pele] Coça, está muito calor, eu preciso tomar mais de um banho, dois banhos, às vezes por dia. E é difícil porque eu só tomo banho com o auxílio da minha mãe, por hora, mas com as minhas fisioterapias diárias eu estou retomando os meus movimentos, aos poucos, mas conseguindo", relatou.
A advogada realiza sessões de fisioterapia diariamente e tem recuperado seus movimentos gradualmente. No entanto, ela ainda deve enfrentar procedimentos caros e demorados, e estima-se que não conseguirá retornar às atividades profissionais antes de um ano. Apesar das adversidades, Juliane mantém o ânimo e a determinação: ela declarou que pretende voltar a advogar e continuar seus estudos.