Polícia investiga morte por descarga elétrica em tirolesa durante casamento em Bonito
Morte em tirolesa por choque elétrico em casamento de Bonito é investigada

Polícia investiga morte por descarga elétrica em tirolesa durante casamento em Bonito

A Delegacia de Polícia de Bonito abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte de dois jovens durante uma festa de casamento na área rural do município. As vítimas, identificadas como Gustavo Henrique Camargo, de 29 anos, e Pedro Henrique de Jesus, de 20 anos, faleceram na manhã do dia 22 de fevereiro de 2026, após utilizarem uma tirolesa na Estância Walf, propriedade particular que havia sido alugada para o evento.

Detalhes do acidente e suspeita de choque elétrico

Segundo relatos de familiares e testemunhas presentes no local, os jovens usaram a tirolesa e, logo em seguida, teriam sofrido uma descarga elétrica ao encostar na estrutura metálica e na água. Após o choque, ambos submergiram no açude onde a atração estava instalada. Equipes da perícia criminal estiveram no local, acompanhadas por policiais civis e com apoio técnico da concessionária de energia Energisa, realizando medições e exames preliminares.

Os peritos constataram que toda a estrutura da tirolesa era metálica e, no topo da torre, encontraram um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados. A suspeita principal da polícia é de que essa fiação defeituosa possa ter energizado toda a estrutura, causando o choque elétrico relatado pelas testemunhas. Um dos corpos apresentava lesões na pele compatíveis com descarga elétrica, reforçando essa linha de investigação.

Sequência dos fatos e condições do local

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros e familiares, Gustavo usou a tirolesa primeiro e teve dificuldades para sair da água. Pedro entrou no açude para tentar socorrê-lo, mas também se afogou. Os dois tiveram parada cardiorrespiratória. Pedro faleceu no domingo após ser levado ao hospital de Bonito, enquanto Gustavo foi reanimado e transferido para a Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu e morreu à noite.

A Estância Walf foi interditada pelo Corpo de Bombeiros na segunda-feira seguinte ao acidente. A corporação informou que o local não possuía autorização para funcionamento e que, sem o certificado emitido pelos bombeiros, a prefeitura não pode liberar alvará. Dessa forma, qualquer evento realizado na propriedade era considerado clandestino.

Posicionamento dos proprietários e andamento das investigações

O advogado representando os proprietários da Estância Walf, Luiz Guilherme Pinheiro de Lacerda, afirmou que seus clientes não estavam no local no momento do acidente. Ele explicou que a propriedade é de uso privativo, eventualmente alugada para conhecidos, e que a tirolesa foi construída há quatro anos sobre o açude, sem registro anterior de problemas.

Sobre a suspeita de descarga elétrica, o advogado informou que a perícia realizou medições no local e que, naquele momento, não havia ponto energizado identificado. Ele mencionou a existência de refletores próximos à estrutura, mas que estavam desligados durante o dia do acidente. O representante legal não comentou sobre a falta de autorização para funcionamento do local.

Próximos passos da investigação

A polícia destaca que todas as informações são preliminares e que o inquérito segue em andamento. As autoridades aguardam a conclusão dos laudos periciais, tanto da análise do local quanto dos exames necroscópicos, para confirmar a dinâmica exata do ocorrido e apurar possíveis responsabilidades criminais.

A delegacia também esclareceu que a participação da Energisa foi apenas para dar apoio técnico à perícia e que o acidente ocorreu dentro da área particular da chácara, sem indícios iniciais de relação com a rede pública de energia. Novas informações devem ser divulgadas conforme houver avanços nas investigações.

As vítimas eram convidados do casamento e moravam em Vicentina e Caarapó, respectivamente. O caso continua sob investigação da polícia civil de Mato Grosso do Sul.