Manobrista presta depoimento e revela falta de qualificação em caso fatal de piscina contaminada
O principal investigado no caso da piscina contaminada em uma academia de São Paulo prestou depoimento nesta terça-feira (10), em um desdobramento trágico que já resultou em uma morte e mantém três pessoas internadas em estado grave. Severino José da Silva, de 43 anos, admitiu à polícia que não possuía conhecimento técnico adequado para manusear produtos químicos, afirmando ter seguido instruções do proprietário do estabelecimento.
Detalhes do depoimento e sequência dos fatos
Durante o depoimento, Severino declarou que foi originalmente contratado como manobrista, mas acabou assumindo múltiplas funções, incluindo a abertura da academia e a manutenção da piscina. Ele enfatizou que não tem habilitação técnica específica para o manuseio de piscinas ou produtos químicos, uma revelação que lança luz sobre as possíveis causas do acidente.
Segundo a investigação policial, imagens de segurança mostram Severino manipulando produtos químicos no espaço da academia no sábado (7), dia em que os alunos começaram a passar mal. Durante o preparo de uma solução de limpeza, uma fumaça branca saiu de dentro de um balde próximo à piscina onde Juliana e seu marido Vinícius nadavam.
Consequências graves e internações hospitalares
Juliana passou mal imediatamente após a exposição, foi levada ao hospital pelo marido e infelizmente faleceu na madrugada de domingo (8). Enquanto isso, Vinícius, um adolescente de 14 anos e outra aluna permanecem internados na Unidade de Terapia Intensiva, lutando pela recuperação.
O delegado Alexandre Bento, responsável pelo caso, afirmou com convicção: "Nós não temos dúvida de que houve uma reação química provocada pela mistura de cloro, ou cloros de diversos tipos, com algum outro produto". A polícia já recolheu amostras da água da piscina para análise, embora os laudos ainda não tenham sido concluídos.
Revelações sobre as orientações recebidas
Severino detalhou que, na semana anterior ao incidente, a água da piscina havia ficado turva. Ele seguiu orientações de um dos sócios da academia para preparar uma solução de limpeza, mas garantiu que não aplicou o produto diretamente na piscina, deixando o recipiente a aproximadamente dois metros da borda.
Em um momento particularmente revelador, o manobrista contou que, ao informar o sócio Celso sobre as pessoas que haviam passado mal, recebeu como resposta apenas: "Paciência". No domingo, ele ainda recebeu uma ligação do patrão orientando: "Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo".
Impacto nas famílias e estado dos internados
Enquanto as investigações avançam, as famílias das vítimas enfrentam dias de angústia e esperança. Felipe Augusto Basseto, irmão de Juliana, expressou: "Estamos tentando nos manter forte o máximo possível para, quando ele voltar, a gente estar lá por ele, para poder acolher ele".
Vinícius, que soube da morte da esposa enquanto estava internado e não pôde comparecer ao velório, apresentou sinais de melhora nesta terça-feira, abrindo os olhos e dando esperança à família. Felipe de Oliveira, irmão de Vinícius, compartilhou a dor da perda: "Tem hora que a gente parece que vai virar para o lado e vai ver ela. E é muito louco saber que não vai acontecer".
Andamento das investigações e posicionamento da academia
Após prestar depoimento, Severino falou brevemente com a imprensa, declarando: "Eu vim me declarar, que eu sou funcionário da empresa, sigo ordens. Meu celular foi apreendido para averiguações. É isso que eu tenho para falar no momento". A polícia também pretende ouvir outro manobrista para esclarecer por que ele retornou à academia na noite de sábado.
A academia C4Gym emitiu uma nota declarando que os sócios estão à disposição da polícia e colaborando com a investigação. O caso continua sob apuração, com a polícia buscando determinar responsabilidades e evitar que tragédias semelhantes ocorram no futuro.