Polícia investiga mortes de jovens em fazenda de Bonito com possível descarga elétrica
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul está investigando as circunstâncias da morte de dois jovens durante uma festa de casamento em uma fazenda em Bonito. Gustavo Henrique Camargo, de 29 anos, e Pedro Henrique de Jesus, de 20 anos, faleceram no domingo (22) após um acidente envolvendo uma tirolesa instalada sobre uma lagoa na área de eventos da propriedade.
Suspeita de descarga elétrica e estrutura metálica
Segundo as investigações preliminares, a polícia suspeita que os jovens tenham sofrido uma descarga elétrica. A estrutura da tirolesa é totalmente metálica, e no topo da torre havia um sistema de iluminação com fiação antiga e pontos desencapados. Testemunhas relataram que Gustavo descia pela tirolesa quando teria levado um choque ao entrar na água. Pedro, ao tentar socorrer o amigo, também pode ter sido atingido pela descarga.
Equipes da perícia, acompanhadas por policiais civis e com apoio técnico da Energisa, concessionária de energia no estado, realizaram medições e exames no local. Uma das vítimas apresentava lesões na pele compatíveis com descarga elétrica, reforçando essa linha de investigação. A polícia aguarda laudos para confirmar a causa oficial das mortes.
Fazenda clandestina e vínculo com ex-presidente do TCE-MS
A Estância Walf, onde ocorreu o acidente, está registrada no nome da empresa Walf Agropecuária e Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda., com valor estimado em R$ 4,4 milhões. O local funcionava de forma clandestina, sem as licenças necessárias para operação, incluindo certificado dos bombeiros e alvará da prefeitura.
Um dos sócios da propriedade é o ex-presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), Waldir Neves Barbosa, que já foi investigado por suspeitas de corrupção em um esquema de lavagem de dinheiro, fraude e superfaturamento em licitações públicas, conforme apuração da Polícia Federal em 2022. A defesa do empreendimento não respondeu aos questionamentos sobre a falta de autorizações.
Detalhes do acidente e posicionamento dos donos
O advogado dos proprietários, Luiz Guilherme Pinheiro de Lacerda, afirmou que os donos não estavam no local no momento do acidente. Ele descreveu a estância como uma propriedade particular, alugada eventualmente para conhecidos, e que a tirolesa foi construída há quatro anos sem registros anteriores de problemas. Sobre a suspeita de descarga elétrica, o advogado informou que a perícia não encontrou pontos energizados inicialmente e que refletores próximos estavam desligados, pois o acidente ocorreu durante o dia.
As vítimas, convidadas do casamento, moravam em Vicentina e Caarapó, respectivamente. A investigação continua para apurar responsabilidades e verificar se a falta de licenças contribuiu para o trágico desfecho.



