Governo reclassifica YouTube para 16 anos
O governo federal decidiu aumentar a classificação indicativa do YouTube de 14 para 16 anos, após a publicação de uma nota técnica que aponta a presença de conteúdo prejudicial para menores de idade. A mudança, que faz parte do ECA Digital (Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital), tem como objetivo indicar a faixa etária recomendada para o uso de serviços online. Na prática, a decisão alerta os usuários de que o YouTube não é recomendado para menores de 16 anos.
Outras plataformas também foram reclassificadas
No fim de abril, outras plataformas também passaram por reclassificação: TikTok, Kwai e WhatsApp, por exemplo, agora têm classificação indicativa de 16 anos. A nota técnica cita a circulação de animações como um dos fatores para a revisão e menciona a 'Novela das Frutas', conteúdo feito com uso de inteligência artificial que viralizou nos últimos meses, como exemplo. Segundo o documento, esse tipo de vídeo tem aparência inofensiva, mas aborda temas como tráfico, violência doméstica e abuso, o que exige mais cuidado na classificação.
YouTube pode recorrer da decisão
O YouTube, que pertence ao Google, pode recorrer da decisão em até dez dias após a publicação no Diário Oficial da União. O g1 entrou em contato com a empresa e aguarda resposta.
'Novela das Frutas' influenciou decisão
Além dessas animações, a nota técnica traz uma análise sobre conteúdos de violência no YouTube, com exemplos que vão de situações fictícias a cenas mais intensas. O documento aponta a presença de imagens detalhadas de ferimentos, sangramentos, mutilações e execuções de personagens. Também cita o uso de recursos visuais, como câmera lenta e enquadramentos fechados, que podem aumentar o impacto dessas cenas.
“Cabe citar uma nova leva de animações que tem sido amplamente difundidas na plataforma, conhecida pelo público brasileiro como ‘novelas de frutas’. Os personagens são frutas e vegetais com características humanas, geralmente com aparência atrativa para o público infantojuvenil, com traços semelhantes aos de animações populares”, diz a nota. “Contudo, as histórias apresentam temas complexos, como apelo sexual, violência doméstica, preconceito, assassinatos, estupros, tráfico de drogas e uso de entorpecentes”, completa o documento.
Psicólogos alertam sobre impacto
As 'novelas de frutas' divertem, mas acendem alerta de psicólogos, que destacam a importância da supervisão parental e da classificação indicativa adequada para proteger crianças e adolescentes de conteúdos impróprios.



