Fundada em 27 de abril de 1976, a TV Liberal, afiliada Globo no Pará, completa 50 anos nesta segunda-feira (27). Para entender o contexto social e cultural daquela época, o g1 preparou uma reportagem especial que revisita a década de 70, transformadora na história de Belém.
Belém em expansão
Em 1970, com o crescimento populacional, a expansão de Belém estava a todo vapor. Bairros que hoje são consolidados começavam a ganhar contornos urbanos. O estilo de vida do belenense era outro: não existiam shoppings para o lazer de fim de semana. Os pontos de encontro, o coração da vida social, eram a praça da República — onde estão os centenários Theatro da Paz e Bar do Parque —, além das tabernas nas esquinas da cidade; as casas de dança com as discotecas; e os cinemas de rua, como o Cine Olympia, o cinema Nazaré, o Cine Guajará, o Cine Catalina e o Cine Ópera. Diferentes dos dias atuais em Belém, o cinema de rua fazia parte do cotidiano das pessoas. Em 1976, grandes clássicos (que ainda não eram clássicos) estrearam: 'Táxi Driver', 'Carrie, a estranha', 'Todos os Homens do Presidente', 'Rocky, um lutador'.
A ponte de Mosqueiro e a visita de Michel Foucault
O ano de 1976, especificamente, foi um divisor de águas para a capital paraense: Belém completou 360 anos (uma data 'redondinha'). O então presidente Ernesto Geisel veio à cidade para acompanhar algumas inaugurações no dia do aniversário do município, 12 de janeiro. Uma das mais representativas para integração de Belém foi a ponte Sebastião Rabelo de Oliveira, que liga a ilha de Mosqueiro, que faz parte da capital, à Região Metropolitana. Antes, o acesso à ilha, que é um distrito de Belém, só podia ser feito pelo rio, de balsa.
Foi neste novo contexto que Belém recebeu a visita ilustre do filósofo francês Michel Foucault, que realizou uma palestra na Universidade Federal do Pará (UFPA) abordando temas de psicologia, comportamento, política e sexualidade. Foucault aproveitou para dar um mergulho na praia do Marahú em Mosqueiro e provar a gastronomia paraense ao lado de estudiosos paraenses como Benedito Nunes, Edna Castro e Maria Sylvia Nunes.
Expoentes da música feita no Pará
Fafá, de Belém para o Brasil inteiro
No mesmo ano do lançamento da TV Liberal, uma voz potente surgia em Belém para se tornar um talento reconhecido nacionalmente: Fafá de Belém lançou o primeiro disco, o antológico Tamba-Tajá, com letras e melodias que destacam as características da Amazônia na Música Popular Brasileira (MPB).
As origens da lambada
Conheça a história da lambada, gênero musical criado no Pará. Também na década de 70, Pinduca, conhecido como 'Rei do Carimbó', em uma roda de música com os amigos e companheiros de banda e em meio aos instrumentos que incorporava para criar o 'carimbó moderno', eletrificado com a guitarra e o baixo, compôs a primeira lambada, intitulada 'Lambada (Sambão)', reunindo referências de ritmos caribenhos que dominam as rádios paraenses na época. 'A lambada é genuinamente paraense', declarou Pinduca. 'Lambada (Sambão)', que caiu na graça dos salões de dança, está no disco 'No Embalo do Carimbó e Sirimbó' volume 5, lançado em 1976. A sonoridade ganhou os palcos nacionais nos próximos anos. Quem nunca ouviu por aí 'Adocica'?
Moda e entretenimento
As movimentações no entretenimento local e até mesmo internacional também podiam ser vistas nas roupas dos paraenses. A década de 70 é a famosa 'Era Disco' e deu continuidade ao protagonismo da juventude de 60, com um toque do glamour das lantejoulas, dos tecidos fluidos, da icônica boca de sino e do artesanato, com peças manuais, principalmente de crochê.
O legado de Romulo Maiorana
Estas transformações culturais e sociais ganharam ainda mais força com o sonho de Romulo Maiorana, o jornalista e empresário pernambucano que fundou a TV Liberal, integrando a comunicação dos municípios do Pará e conectando o estado ao Brasil e a outros países em uma nova dimensão. Desde aquele primeiro sinal emitido, a missão nunca mudou: estar perto do povo paraense, exaltando a cultura e colando em evidência a população da Amazônia.
Pinduca, ponte de Mosqueiro, grupos de música disco e Michel Foucault em Mosqueiro, tudo isso foi parte da década de 70 em Belém.



