Juíza morre após coleta de óvulos; clínica tem irregularidades em Mogi das Cruzes
Juíza morre após coleta de óvulos; clínica tem irregularidades

A juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, morreu na quarta-feira (6) após sofrer uma hemorragia durante um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS) realizou uma fiscalização no local na quinta-feira (7) e encontrou irregularidades em alguns produtos.

Fiscalização encontra irregularidades

Segundo o CVS, a fiscalização avaliou as condições sanitárias, os processos de trabalho, os medicamentos e os insumos utilizados na Clínica Invitro Reprodução Assistida. Durante a inspeção, foram identificadas irregularidades em alguns lotes de agulhas de aspiração, como falta de rastreabilidade e ausência de informações sobre fabricante, importador e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O CVS lavrou um auto de infração e determinou a interdição cautelar dos produtos citados.

A Vigilância Sanitária informou que a clínica já havia sido autuada anteriormente. Em dezembro de 2024, foram registradas duas autuações, e em dezembro de 2023, outra. Os casos envolveram irregularidades diferentes, mas o órgão não informou quais eram. Em todas as ocasiões, foram aplicadas multas e outras penalidades.

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O que diz a clínica

A Clínica Invitro Reprodução Assistida informou, em nota, que a equipe médica adotou imediatamente os protocolos técnicos desde os primeiros sinais de intercorrência e prestou atendimento emergencial à paciente. A unidade afirmou que Mariana foi encaminhada para um hospital com acompanhamento pela equipe e do médico responsável. A clínica declarou que todo procedimento cirúrgico e médico possui riscos inerentes e intercorrências possíveis e que atua dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis.

O que diz o hospital

O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou que a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A unidade afirmou que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão, na tentativa de estabilizar o quadro clínico. Apesar dos esforços, Mariana veio a óbito no dia seguinte.

Detalhes do caso

De acordo com o boletim de ocorrência, Mariana realizou a coleta de óvulos na manhã de segunda-feira (4). Após receber alta por volta das 9h, voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores e sensação de frio. A mãe a levou novamente à clínica por volta das 11h. No retorno, Mariana relatou que acreditava ter urinado na roupa, mas a equipe constatou hemorragia vaginal. O médico fez uma sutura para conter o sangramento.

Mariana foi transferida para a Maternidade Mogi Mater, onde deu entrada às 17h e foi levada à UTI. Na terça-feira (5), passou por uma cirurgia às 21h. Na madrugada de quarta-feira (6), sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu às 6h03.

Sonho de ser mãe

A mãe da juíza, Marilza Francisco, contou que a filha decidiu congelar óvulos porque sonhava em ser mãe. Ela ficou com medo de envelhecer e queria ter uma poupança para quando tivesse a vida mais organizada. A mãe relatou que a filha perdeu cerca de dois litros de sangue, informação repassada pela equipe médica.

Quem era a juíza

Mariana era natural de Niterói (RJ) e tomou posse como juíza no Rio Grande do Sul em dezembro de 2023. Atuava na Vara Criminal da Comarca de Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lamentou a morte e decretou luto oficial de três dias. A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS) manifestou profundo pesar.

Velório e sepultamento

O corpo de Mariana é velado nesta quinta-feira (7) na Primeira Igreja Batista, em César de Sousa, Mogi das Cruzes. Uma cerimônia fúnebre será realizada às 20h. Na sexta-feira (9), às 9h, o corpo sairá em cortejo para o Cemitério da Saudade, onde será sepultado.

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