A Escola Municipal Sebastiana Silveira Pinto, localizada no Bairro São Jorge, em Uberlândia, deu um importante passo na consolidação de uma proposta educacional inclusiva e antirracista ao nomear seus espaços com personalidades negras. A cantina agora se chama Tia Ciata, baiana reconhecida como uma das matriarcas do samba. A sala dos professores homenageia Antonieta de Barros, primeira deputada negra do Brasil e pioneira na defesa da educação pública. Já a sala de artes recebeu o nome de Criola, nome artístico da grafiteira Tainá Lima. Por fim, a sala de aula do segundo ano do ensino fundamental foi batizada de Tânia Costta, jornalista que atualmente trabalha na TV Integração.
Iniciativa no Integração na Educação
Na manhã desta quinta-feira (7), a ação foi destaque no primeiro episódio do quadro Integração na Educação, que estreou no Integração Notícia. A proposta é mostrar iniciativas escolares exemplares que impactam positivamente a comunidade. A editora e apresentadora Tânia Costta comentou: “Educação é vida. Percorrer escolas e conhecer iniciativas que impactam crianças e famílias tem um gosto especial”.
Educação antirracista como prática cotidiana
De acordo com o Ministério da Igualdade Racial, a população negra no Brasil – que inclui pessoas pretas e pardas – representa quase 56% da população total, somando cerca de 112,7 milhões de pessoas, conforme o Censo 2022. Para a diretora Stella Jacinto, trazer mais identidade para as salas de aula é fundamental. “Tânia é uma mulher negra, mineira, uma potência jornalista e representa muitas das crianças que estão aqui na escola”, afirmou.
O projeto de nomear os espaços com personalidades negras, especialmente mineiras que se destacaram em diversas áreas, segue as diretrizes da Secretaria Municipal de Educação, que reforça anualmente o compromisso com uma escola inclusiva. Em 2026, o tema norteador será “Uma Escola Inclusiva, Antirracista e sem Bullying”.
Estudo e conscientização
Dentro do plano de educação antirracista, cada turma estuda a trajetória da personalidade que nomeia sua sala, produz trabalhos e compartilha aprendizados. As professoras Ana Paula Vitor e Juliana dos Reis Silva, ambas do segundo ano, destacaram que a campanha tem sido enriquecedora. “Eles [alunos] aprendem com nossas experiências e com as histórias dessas personalidades. Muitas vezes se emocionam mais do que nós e nos surpreendem de forma encantadora”, relataram.
A aluna Laís Nunes, mesmo tão nova, já desenvolveu a consciência de que a campanha ajudou a entender que racismo e bullying machucam os colegas. Para ela, o mais importante é respeitar as diferenças e acolher os amigos que passam por situações assim. “Eu nunca vou fazer bullying”, garantiu.
A homenagem a Tânia Costta
Tânia Costta é natural de Ituiutaba e cresceu sonhando com a comunicação, improvisando microfones com canetas e frutas no quintal de casa. “Valeu a pena aquela menina ter sonhado. Estar aqui, em uma escola que pratica a comunicação antirracista, me emociona. Se alguma dessas crianças acreditar que pode chegar onde sonha, já valeu a pena”, disse Tânia, emocionada.
O impacto foi imediato. A aluna Laís compartilhou que quer ser apresentadora quando crescer. Maria Luísa, também estudante, reconheceu em Tânia o reflexo de sua própria identidade ao tocar nos cabelos da jornalista. Durante a roda de conversa, Tânia compartilhou experiências de racismo vividas na infância, como quando compararam seu cabelo a objetos de limpeza. O relato sensibilizou Maria Luísa, que acariciou os fios da apresentadora e os elogiou: “seus cachinhos são lindos”.
Representatividade que faz diferença
O trabalho da escola também emociona as famílias. Gabriela Cássia, mãe da aluna Maria Luísa, destacou como a gestão escolar fortalece a autoestima das crianças. “Elas se sentem cada vez mais acolhidas pelo cabelo crespo, pela cor da pele. Isso traz respeito e reconhecimento.”
“Meu coração está quentinho nesse lugar”, resumiu Tânia sobre toda a experiência da visita à escola.



