Dólar cai 1,09% e fecha a R$ 4,912 com apetite por risco e ata do Copom
Dólar cai 1,09% e fecha a R$ 4,912 com apetite por risco

O dólar fechou em queda de 1,09% nesta terça-feira (5), cotado a R$ 4,912, o menor valor desde 26 de janeiro de 2024. O movimento foi impulsionado pelo aumento do apetite global por risco e pela repercussão da ata do Comitê de Política Monetária (Copom).

Impacto do petróleo e cenário internacional

Durante o pregão, a queda dos preços internacionais do petróleo levou investidores a buscar ativos de maior risco, como mercados emergentes e ações. O Brent, referência mundial, caiu 3,78%, negociado a US$ 110,13. Apesar da tensão no Oriente Médio, relatos de passagens de embarcações pelo estreito de Hormuz animaram os analistas. A empresa Maersk informou que um de seus navios-petroleiros, o Alliance Fairfax, conseguiu atravessar a via sem incidentes.

Nos Estados Unidos, as bolsas S&P 500 e Nasdaq registraram recordes de fechamento, com altas de 0,88% e 1,03%, respectivamente. O dólar também se desvalorizou frente a moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Ata do Copom e política monetária

No ambiente doméstico, a ata do Copom foi o destaque. O comitê destacou o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e a piora das expectativas no longo prazo. O colegiado optou por um ajuste conservador, sem sinalizar abertamente os próximos passos. A taxa Selic foi mantida em 14,5% ao ano, após um corte de 0,25 ponto percentual.

Analistas avaliam que a ata reforça uma postura cautelosa, mas não impede a continuação do ciclo de queda de juros. Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, o documento é peça-chave para calibrar as apostas sobre a Selic, especialmente diante da alta recente do petróleo. Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, afirma que a ata não sinaliza corte em junho, mas também não descarta reduções futuras.

Diferencial de juros e carry trade

A postura mais cautelosa do Copom sinaliza que o diferencial de juros do Brasil deve se manter, principalmente em relação aos EUA. O Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destaca a combinação de dólar global mais fraco e fluxo favorável para ativos de risco, beneficiando o Brasil. Márcio Rialba, head da mesa de operações da StoneX, aponta que o dólar em queda reflete o diferencial de juros doméstico, com entrada de recursos para renda fixa local e desempenho favorável das commodities.

No carry trade, investidores captam recursos em economias com juros baixos, como os EUA, e aplicam em países com taxas elevadas, como o Brasil, buscando ganhos com o diferencial de juros. Esse comportamento é citado como um dos principais responsáveis pela alta recente da Bolsa e do real.

Destaque da Bolsa: Ambev

A Bolsa brasileira avançou 0,62%, aos 186.753 pontos. O destaque da sessão foi a Ambev, que subiu até 17% após divulgar resultados mais fortes que o esperado no primeiro trimestre.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar