O Flamengo atravessa uma das maiores crises de sua história recente no basquete, rivalizando com o período de 2016/17, quando marcou o fim da era do técnico José Neto. Em apenas uma semana, entre 14 e 22 de abril, o clube acumulou uma série de acontecimentos que abalaram a estrutura da modalidade na Gávea.
Os eventos que marcaram a crise
Entre os principais fatos estão: a possível perda do jogador mais importante, Alexey Borges, por lesão no joelho; o 5º lugar na temporada regular do NBB; o 4º lugar na BCLA Américas, com duas derrotas contundentes para o campeão Boca Juniors e o Nacional-URU; a demissão do técnico Sérgio “Oveja” Hernandez; a votação para que o SESC-RJ ajude na modalidade; a efetivação do auxiliar Fernando Pereira, o Fernandinho, até o fim da temporada; e o início dos playoffs contra o complicado União Corinthians.
Demissão de Oveja: um técnico vencedor em time em reconstrução
Sérgio Hernandez é um técnico ultra-experiente, medalhista olímpico em Pequim com a Argentina e vencedor em todas as suas passagens. No entanto, o Flamengo atual não é um grupo maduro que busca aprimorar seu protagonismo. Apesar do alto orçamento, o rubro-negro está há pelo menos três temporadas tentando superar o Sesi-Franca pela supremacia nacional. Precisa de jogadores capazes de vencer essa dinastia. Na temporada passada, um Flamengo em melhor fase com Alexey, Ruan e Shaq levou o Franca ao jogo 5. Trazer Alex Negrette e Franco Baralle não resolveu a questão.
O quinteto ideal (Cummings, Gui, Ruan, Alexey, Shaq) não jogou junto um minuto sequer nesta temporada devido à lesão de Ruan Miranda em agosto de 2025, durante a Americup. As lesões foram devastadoras e, por ser o Flamengo e pela falta de talento no mercado nacional e latino-americano, o time teve que se reforçar com jogadores que permitissem ser competitivo, mas não capaz de tirar o protagonismo do Franca.
Desempenho abaixo do esperado
Mesmo competitivo, o Flamengo decepcionou. Vítima de seu sucesso, o time disputou várias competições desde setembro e não teve profundidade para suprir ausências importantes. Derrotas para Caxias, União Corinthians, Rio Claro e, principalmente, uma goleada sofrida para o Pato Basquete (em partida após agressão a árbitro, com torcida por efeito suspensivo) foram imperdoáveis. O time acumulou 10 derrotas, aproveitamento de 73% e um incômodo 5º lugar.
Nas copas, o fracasso no Super 8 veio em casa contra o Minas, com Oveja hostilizado pela torcida. Na BCLA Américas, em Buenos Aires, o Flamengo não teve chance: perdeu para o Boca Juniors por 81 a 58 na semifinal e para o Nacional por 94 a 65 na disputa pelo terceiro lugar. Era um time fragilizado física e mentalmente.
Playoffs: alívio momentâneo?
Nos playoffs do NBB, a sorte pareceu sorrir no jogo 1, na quarta-feira (22). O União Corinthians desmoronou no terceiro quarto e Negrette explodiu com 30 pontos, garantindo vitória por 102 a 72. A série segue para Santa Cruz do Sul (RS), com jogos 2 no sábado (25) às 18h e jogo 3 na segunda (27) às 20h.
Fora de quadra: patrocínio do SESC-RJ
O conselho votou a favor, na quinta-feira (16), do patrocínio do SESC-RJ para todos os esportes olímpicos (basquete, vôlei, futebol feminino). Segundo o release, o acordo inclui visibilidade de marca, ações em dias de jogo, experiências com a torcida, visitas a unidades do Sesc e participação em projetos sociais. No entanto, faltou uma reafirmação do clube sobre os rumos do basquete a partir do segundo semestre de 2026.
Perspectivas futuras
O basquete do Flamengo já viveu crises antes. Em todas, mudanças (chegada de José Neto em 2011 e Gustavo de Conti em 2019) levaram a períodos de domínio. A vantagem da situação atual é ter uma folha em branco para escrever uma nova história. A diretoria e os responsáveis pela modalidade têm essa responsabilidade e precisam de ousadia para que o basquete volte a ser o “Orgulho da Nação”.



