Acúmulo de algas no Rio Paraná prejudica turismo e navegação no Oeste Paulista
Algas no Rio Paraná prejudicam turismo no Oeste Paulista

O acúmulo de algas no Rio Paraná, especialmente na região de Presidente Epitácio, no Oeste Paulista, tem causado sérios transtornos ao turismo e à navegação. O problema, que se intensifica em feriados prolongados, também atinge cidades como Panorama e Glicério, em Araçatuba. Em Presidente Epitácio, o trecho do Rio Caiuazinho é um dos mais afetados, devido ao baixo movimento de embarcações, o que favorece a proliferação das algas.

Impacto no turismo e na navegação

Segundo o engenheiro ambiental Bruno Magro Rodrigues, da prefeitura de Presidente Epitácio, a presença excessiva de algas interfere diretamente no uso do rio. "Principalmente o turismo é afetado, devido ao fluxo de navegação, já que as algas acabam enroscando nas hélices dos motores, e também afeta banhistas", destacou. Em Panorama, o balneário municipal também sofre com o problema, que atrapalha até a pesca esportiva. A prefeitura local informou que as algas podem ser confundidas com sujeira e que o fenômeno ocorre há alguns anos, possivelmente influenciado pelo Rio Tietê. Em Glicério, um tapete de algas se formou recentemente, repetindo o cenário.

Causas: eutrofização e represamento

Especialistas apontam que a eutrofização, processo de acúmulo excessivo de nutrientes como nitrogênio e fósforo na água, é a principal causa. Esses nutrientes vêm de esgoto e fertilizantes. Bruno Magro explica que o represamento do Rio Paraná, com o enchimento do lago entre o final dos anos 1990 e início dos 2000, reduziu o fluxo natural da água. "As águas pararam de ter aquele fluxo natural. Elas tinham um fluxo mais fluido, a pressão da força do lago exerce essa pressão sobre os rios e fica um ambiente mais lento, mais parado. Isso reduz o oxigênio dissolvido na água e favorece a proliferação dessas algas", afirmou. Além disso, a decomposição de vegetação submersa desde a formação do lago contribui para o aumento de nutrientes.

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Medidas de controle e custos

A prefeitura de Presidente Epitácio realiza a retirada parcial das algas, que são levadas para o aterro de resíduos inertes junto com galhadas e folhas. No entanto, a eliminação total não é possível. "A gente remove o excesso para facilitar o trânsito de navegações, para não impactar negativamente o turismo dos balneários que a gente tem, como por exemplo a Pracinha da Orla", disse o engenheiro. O trabalho envolve equipes, maquinário e apoio de outros órgãos, gerando custos ao município. "Existe sim gasto público. A gente desloca equipes, pois temos uma demanda em municípios não tão grandes. São equipes deslocadas e uma estrutura que poderia estar sendo usada em outras demandas", completou.

Perspectivas futuras

O controle da eutrofização depende de ações a longo prazo, como o combate ao despejo irregular de esgoto e o monitoramento ambiental integrado entre municípios. Enquanto isso, balneários como a Orla Fluvial e o Parque Figueiral continuam com o uso prejudicado, afetando uma das principais atividades econômicas da região.

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