Professor fundador do PT, José Álvaro Moisés, morre afogado em praia de Ubatuba
O professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), José Álvaro Moisés, de 81 anos, faleceu após um afogamento na praia de Itamambuca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. O trágico incidente ocorreu na tarde de sexta-feira (13), e a identidade da vítima foi confirmada na manhã deste sábado (14) pelo Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e pela Polícia Civil.
Detalhes do afogamento e resgate
De acordo com o boletim de ocorrência, o caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental. Uma amiga de José Álvaro relatou à Polícia Civil que estava na praia com o professor aposentado e outros amigos na tarde de sexta-feira. O grupo chegou ao local por volta das 17h30, e em determinado momento, os amigos perceberam a ausência do professor. Pouco depois, foram informados de que uma pessoa havia se afogado e sido socorrida por uma unidade do Samu.
Ao buscarem informações, os amigos se dirigiram a uma funerária da cidade, onde constataram que a vítima era José Álvaro Moisés, e o corpo foi reconhecido. O GBMar informou que guarda-vidas foram acionados por banhistas, por volta das 17h40, para atender um homem de 81 anos encontrado inconsciente na faixa de areia. Quatro guarda-vidas e dois guarda-vidas temporários atuaram na ocorrência, com apoio de viaturas de resgate e suporte médico, mas o homem não resistiu.
O corpo foi encaminhado aos serviços funerários e chegou na manhã deste sábado (14) ao Instituto Médico Legal de Caraguatatuba, onde passou por exames de necropsia para esclarecer as circunstâncias exatas do falecimento.
Legado acadêmico e político
José Álvaro Moisés era uma das referências acadêmicas na área de democracia e instituições políticas. Professor titular da USP, foi membro do International Social Sciences Council, vinculado à UNESCO, diretor do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas da universidade, editor do blog Qualidade da Democracia e coordenador acadêmico do projeto Corrupteca. O professor também foi secretário do Partido dos Trabalhadores (PT) na década de 80, participando da elaboração de uma cartilha do partido que explicava suas bases e discutia a Assembleia Nacional Constituinte, parte do processo de redemocratização nacional após a Ditadura.
Nos últimos anos, o cientista político adotou uma postura crítica em relação aos governos do PT, embora tenha sido um dos fundadores e atuado no partido por cerca de 10 anos. José Álvaro colaborava com jornais e revistas nacionais e era autor de diversos livros de análise política, deixando um legado significativo para a ciência política brasileira.
Reações e homenagens
Nas redes sociais, a Associação Brasileira de Ciência Política lamentou a morte do professor, destacando sua trajetória acadêmica marcada pelo rigor intelectual e compromisso com a vida pública. Em nota, a associação afirmou: "Sua trajetória acadêmica, marcada pelo rigor intelectual e pelo compromisso com a vida pública, deixa um legado incontornável para a área e para gerações de pesquisadoras e pesquisadores. Neste momento de tristeza, a ABCP manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos(as), colegas e estudantes."
O Partido dos Trabalhadores foi procurado para comentar o ocorrido, e aguarda-se um posicionamento oficial sobre a perda de um de seus fundadores. A comunidade acadêmica e política brasileira está de luto pela partida de uma figura tão influente e respeitada.



