Academia em SP usava cloro de uma semana em um dia, diz polícia sobre morte de professora
Academia usava cloro de semana em um dia, diz polícia sobre morte

Academia em São Paulo usava carga de cloro de uma semana em apenas um dia, aponta investigação policial

A Polícia Civil de São Paulo revelou detalhes alarmantes sobre o caso da morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após uma aula de natação na Zona Leste da capital. Segundo o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), a academia C4 Gym utilizava, em um único dia, a quantidade de cloro que deveria ser aplicada ao longo de uma semana em piscinas do mesmo porte. A informação foi divulgada na quinta-feira (12), durante a investigação que apura as causas e responsabilidades pelo óbito.

Vítimas intoxicadas e academia interditada pela prefeitura

Juliana Faustino Bassetto faleceu no sábado (7) após passar mal durante a aula na C4 Gym. Outras seis pessoas também apresentaram mal-estar, sendo que três delas precisaram ser internadas, incluindo o marido da professora. A suspeita inicial da polícia é de que as vítimas foram intoxicadas por cloro, embora o laudo pericial que poderia confirmar essa hipótese ainda não tenha sido concluído. Diante dos fatos, a prefeitura de São Paulo determinou a interdição imediata da academia.

O delegado Alexandre Bento destacou a gravidade do manejo inadequado do produto químico. "A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana numa piscina desse tipo", afirmou, sem especificar a quantidade exata. A polícia investiga se a manipulação incorreta do cloro, realizada por um manobrista sem qualificação técnica, resultou na liberação de gases tóxicos que intoxicaram os alunos.

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Câmeras registram fumaça branca e vítimas pedindo ajuda

Imagens de câmeras de monitoramento da academia capturaram momentos críticos antes da tragédia. As gravações mostram fumaça branca saindo de um balde com a mistura química usada na piscina, instantes antes do início da aula de natação. Outras cenas registram as vítimas em claro estado de desespero, pedindo ajuda enquanto apresentavam sintomas de intoxicação.

Em depoimento à polícia, o manobrista Severino José da Silva relatou que realizava a limpeza do espaço seguindo ordens diretas de um dos sócios da academia, enviadas por meio do aplicativo WhatsApp. Apesar de sua participação no manejo do cloro, a polícia não o responsabilizou criminalmente, considerando que ele agiu sob orientação dos proprietários. "Ele foi manipulado pelos sócios da empresa", explicou o delegado Alexandre. "Ele não responderá criminalmente por nenhum crime."

Sócios da academia são indiciados por homicídio com dolo eventual

A delegacia indiciou os três sócios da C4 Gym – Cezar Augusto Miguelof Terração e os irmãos Cesar Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz – pelo crime de homicídio por dolo eventual, caracterizado quando o agente assume o risco de causar a morte. A polícia também solicitou as prisões temporárias dos empresários, alegando que houve tentativa de interferência na investigação. Segundo o delegado, os sócios atrasaram o depoimento do manobrista Severino ao enviar outro funcionário em seu lugar e tentaram ocultar a existência de um segundo manobrista.

"Chegamos à conclusão de que houve por parte dos proprietários da empresa um descuido, descaso deliberado de forma gananciosa para que o resultado ocorresse", declarou o delegado Alexandre. "Por isso, eles foram indiciados na noite de ontem [de quarta-feira, dia 11] por homicídio com dolo eventual." O Ministério Público concordou com o pedido de prisão, e a Justiça deve decidir em breve sobre a decretação das medidas cautelares.

Defesa dos sócios contesta indiciamento sem laudos conclusivos

A defesa dos sócios da academia emitiu uma nota afirmando que os três estão colaborando integralmente com as investigações e expressou indignação com o indiciamento realizado antes da conclusão dos laudos periciais. Os advogados argumentam que a falta de resultados definitivos torna prematura qualquer acusação formal contra seus clientes.

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Enquanto isso, a família de Juliana Faustino Bassetto vive um momento de profunda dor. Nívea Faustino Basseto, mãe da professora, falou com a TV Globo na quinta-feira, compartilhando seu luto. "Parece que eu tô vivendo um pesadelo. Eu gostaria de ter minha filha de volta, isso que eu gostaria. Que isso não aconteça com mãe nenhuma, com filha nenhuma", desabafou. "Ela perdeu a vida por irresponsabilidade de uma pessoa. É um sentimento bem difícil de aceitar e de falar... aconteceu, somente aconteceu."

A investigação continua, com a polícia aguardando os laudos periciais para confirmar as causas exatas da intoxicação e consolidar as acusações contra os responsáveis. O caso chama a atenção para a necessidade de fiscalização rigorosa no funcionamento de academias e no manejo seguro de produtos químicos em ambientes públicos.