Brasil apresenta primeiro caça Gripen fabricado nacionalmente e ingressa em clube seleto
Primeiro caça Gripen fabricado no Brasil é apresentado

Brasil apresenta primeiro caça supersônico fabricado nacionalmente e ingressa em grupo seleto

O primeiro caça supersônico produzido em solo brasileiro, o F-39E Gripen, foi oficialmente apresentado nesta quarta-feira (25) em cerimônia realizada na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. O evento histórico marcou a entrada do Brasil em um grupo restrito de aproximadamente 14 nações com capacidade de fabricar aeronaves de combate avançadas.

Cerimônia reúne autoridades e executivos do setor

A apresentação contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que batizou a aeronave sem proferir discursos. Também estiveram presentes o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno; a embaixadora da Suécia no Brasil, Karin Wallensteen; além de executivos das empresas envolvidas no programa, incluindo Micael Johansson, CEO da Saab, e Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer.

"O contrato do Gripen prevê a aquisição de 36 aeronaves para a Força Aérea Brasileira, além de simuladores de voo, estações de planejamento, integração de sensores, armamentos e suporte logístico inicial", afirmou o ministro José Múcio durante a cerimônia.

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Investimentos e cronograma do programa

Desde a assinatura do contrato em 2014, o programa já consumiu cerca de 16,75 bilhões de reais em valores corrigidos, com o contrato original equivalendo atualmente a aproximadamente 29,5 bilhões de reais. O projeto, inicialmente previsto para conclusão em 2024, agora tem prazo estendido até 2032.

Até o momento, onze das 36 aeronaves já foram entregues à Força Aérea Brasileira, com 57% do valor total do contrato já executado, incluindo custos adicionais. Dos 36 caças adquiridos, 15 serão produzidos na unidade brasileira da Embraer em Gavião Peixoto.

Transferência de tecnologia e capacitação nacional

Um dos pilares fundamentais do acordo é o processo de transferência de tecnologia, que incluiu o treinamento de aproximadamente 350 engenheiros e técnicos brasileiros, tanto no Brasil quanto na Suécia. "A produção do Gripen no Brasil coloca o país em um grupo seleto de nações capazes de fabricar aeronaves de combate avançadas", destacou Micael Johansson, CEO da Saab.

A linha de produção inaugurada em 2023 em Gavião Peixoto é a primeira fora da Suécia desde a fundação da Saab em 1937, com todas as capacidades previstas plenamente implementadas. No Hemisfério Sul, apenas Austrália e África do Sul possuem capacidade similar de produção de aeronaves supersônicas.

Características técnicas do caça avançado

Desenvolvido pela sueca Saab em parceria com a Embraer, o Gripen é um caça multifuncional projetado para missões de defesa aérea, reconhecimento e ataque. A aeronave atinge velocidade de até Mach 2, equivalente a aproximadamente duas vezes a velocidade do som, e foi concebida para operar em cenários de alta complexidade.

"O Gripen representa hoje a plataforma de combate mais avançada já incorporada à Força Aérea Brasileira e se consolida como o principal vetor do sistema de defesa aérea do país", afirmou o comandante Marcelo Kanitz Damasceno.

Entre os principais diferenciais do modelo estão:

  • Capacidade de fusão de dados que integra informações de diferentes sensores
  • Compartilhamento de informações em tempo real com outras aeronaves e centros de comando
  • Arquitetura aberta que permite atualizações constantes de software
  • Operação com ampla gama de armamentos, incluindo mísseis ar-ar de longo alcance

Impacto na indústria nacional e perspectivas de exportação

A parceria reúne além da Saab e Embraer, outras empresas da base industrial brasileira como AEL Sistemas, Atech e Akaer, responsáveis por diferentes etapas do desenvolvimento, integração e produção. "O programa Gripen fortalece a capacidade industrial e tecnológica do Brasil e amplia a inserção da indústria nacional no mercado internacional de defesa", afirmou Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer.

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A fábrica brasileira é considerada candidata a atender encomendas externas do modelo, especialmente em mercados da América Latina, região onde o Brasil é atualmente o único país com capacidade de produzir aeronaves de combate supersônicas. Colômbia é apontada como potencial compradora.

Contexto mais amplo de investimentos em defesa

O programa se insere em um contexto mais amplo de investimentos na indústria e inovação tecnológica. "A indústria de defesa está na fronteira da inovação e integra as prioridades da nova política industrial do país", afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Há previsão de investimentos de aproximadamente 108 bilhões de reais, com recursos do BNDES, Finep e Ministério da Ciência e Tecnologia, voltados à inovação e modernização do parque industrial brasileiro. Além do Gripen, o complexo de Gavião Peixoto concentra outros projetos estratégicos da Embraer, incluindo o cargueiro KC-390 e iniciativas em desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem vertical.