Pilotos pressionam F1 por mudanças após acidentes e 'ultrapassagens iôiô' em novo regulamento
Pilotos pressionam F1 por mudanças após acidentes em novo regulamento

Pilotos e equipes pressionam F1 por mudanças urgentes no regulamento híbrido

A pausa forçada no calendário da Fórmula 1, provocada pelos cancelamentos das etapas no Bahrein e na Arábia Saudita devido a conflitos no Oriente Médio, abriu uma janela crucial para pilotos e equipes pressionarem a categoria por mudanças significativas no regulamento recém-adotado. Representantes das 11 escuderias estão reunidos com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) desde quinta-feira (9), em Londres, para apresentar queixas e avaliar a necessidade de ajustes ainda durante esta temporada, com encontros que devem se estender até o dia 20.

Problemas com motores híbridos geram riscos de segurança

O ponto central debatido neste momento está relacionado aos motores com sistema híbrido de potência implementados neste ano. A parte elétrica passou a oferecer quase 50% da potência total do carro, com o restante proveniente da combustão. Essa nova configuração exige que os pilotos utilizem técnicas de direção variadas ao longo de uma mesma volta para recarregar as baterias. Quando as baterias estão quase zeradas, a perda de potência e velocidade é drástica, deixando os pilotos vulneráveis a ataques dos concorrentes.

Nas três etapas disputadas até aqui – GPs da Austrália, China e Japão – foi comum observar as chamadas ultrapassagens "iôiô": os pilotos se revezaram em trocas constantes de posição, ocasionadas pela variação de carga nas baterias. Além disso, a segurança dos pilotos tornou-se uma preocupação primordial, pressionando a F1 e a FIA. Com mudanças quase repentinas de perda de potência e velocidade, os carros estão mais sujeitos a acidentes graves.

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Acidente no Japão expõe falhas no sistema

Um exemplo marcante ocorreu na prova disputada em Suzuka, em 29 de março, a última antes da pausa que se estende até 3 de maio, com a volta no GP de Miami. No circuito japonês, o britânico Oliver Bearman, da Haas, colidiu com o argentino Franco Colapinto, da Alpine, que repentinamente apareceu mais lento à sua frente. A diferença de velocidade entre eles chegou a quase 100 km/h, devido a um fenômeno batizado de "super clipping", que causa perda súbita de velocidade mesmo com o acelerador totalmente pressionado.

Essa queda ocorre porque, enquanto o piloto recarrega a bateria do carro, ele passa a contar apenas com o motor a combustão, que representa pouco mais da metade da potência total do veículo. Bearman sofreu uma contusão no joelho direito após o impacto e destacou que o tema já vinha sendo debatido entre os competidores. "Como grupo, alertamos a FIA sobre o que poderia acontecer, e este foi um resultado realmente infeliz de uma enorme diferença de velocidade que nunca tínhamos visto antes na F1", declarou o britânico.

Insatisfação generalizada afeta competitividade

Os problemas não se limitam à segurança, com críticas ecoando no paddock sobre a competitividade das provas. O holandês Max Verstappen, tetracampeão e piloto da Red Bull, tem se mostrado o mais insatisfeito com as diretrizes do novo regulamento. Atualmente na nona posição do Mundial, com seu melhor resultado sendo o sexto lugar na Austrália, Verstappen afirmou que pensa em deixar a categoria.

"Eu posso aceitar facilmente ser sétimo ou oitavo, mas quando você está nessa posição e não está gostando de toda a fórmula por trás disso, não parece natural para um piloto de corrida", disse. "Não é legal a forma como você tem que correr. É realmente antipilotagem. Então, chega a um ponto em que, sim, não é o que eu quero fazer."

Exemplos de "antipilotagem" em disputas

Um caso ilustrativo ocorreu no Japão durante uma disputa entre os britânicos Lando Norris e Lewis Hamilton. Após a corrida, o piloto da McLaren afirmou que foi quase obrigado a ultrapassar o compatriota da Ferrari sem querer, devido à descarga da bateria. "Eu nem queria ultrapassar o Lewis. É só uma questão da bateria se descarregar. Eu não queria que se descarregasse, mas não conseguia controlar. Então, eu o ultrapassei, e aí fiquei sem bateria, e ele simplesmente passou voando. Isso não é corrida, isso é efeito ioiô", explicou Norris.

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Cautela da F1 diante de possíveis mudanças

Apesar da insatisfação generalizada, a F1 deve ser cautelosa com qualquer alteração em seu novo regulamento. Até mesmo o chefe da equipe Haas, Ayao Komatsu, que teve seu piloto envolvido no acidente, defendeu a necessidade de um debate aprofundado antes de mudanças. "Estamos analisando a questão sob todos os ângulos porque, quando fazemos mudanças, precisamos que sejam as mudanças certas. Não podemos tomar decisões precipitadas e, algumas corridas depois, dizer: 'Essa foi uma má escolha'", afirmou Komatsu.

Enquanto isso, pilotos como o australiano Oscar Piastri, da McLaren, reconhecem os desafios. "Já tínhamos falado sobre essa possibilidade desde que esses carros foram concebidos. É o que temos que aceitar, com essas unidades de potência. Não há uma maneira fácil de contornar isso", disse Piastri, que terminou em segundo lugar no Japão, atrás do italiano Kimi Antonelli, da Mercedes. A temporada aguarda ansiosamente as decisões que podem redefinir o futuro da competição.