Câmeras Capturam Resgate e Suspeita de Intoxicação em Academia da Zona Leste
Uma mulher de 29 anos foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Luiz Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, após participar de uma aula de natação na academia C4 Gym. O caso ocorreu no sábado (7), mesma aula em que a professora Juliana Bassetto, de 27 anos, faleceu após passar mal. A aluna registrou um boletim de ocorrência pela internet, relatando que participou da aula junto com a filha, foi para casa e começou a sentir náuseas, vômitos e diarreia. A situação se agravou no domingo (8), quando ela procurou o hospital e foi encaminhada para a UTI.
Quarta Vítima Internada Após Aula de Natação
Ela se tornou a quarta vítima a ser hospitalizada em decorrência da participação naquela aula de natação. Atualmente, três pessoas permanecem na UTI, enquanto uma está em leito comum. Entre os internados em estado grave está Vinicius Oliveira, marido de Juliana, que também era aluno da academia. Ele deu entrada na unidade de saúde com um quadro de insuficiência respiratória e, segundo o boletim médico, encontra-se em estado grave, porém clinicamente estável.
Delegado Aponta Manipulação de Químicos como Principal Suspeita
Segundo o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, a principal linha investigativa indica que a manipulação de produtos químicos dentro do ambiente da piscina coberta pode ter provocado reações nas vítimas. "O manobrista faz a mistura dos produtos químicos e leva para a piscina", afirmou o delegado durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira. O homem suspeito ainda não foi localizado pelos investigadores.
Imagens de Segurança Mostram Vítima Passando Mal
Câmeras de segurança registraram o momento em que Juliana Faustino Bassetto passa mal após sair da aula de natação. Ela faleceu horas depois no Hospital Santa Helena, em Santo André. Nas imagens, é possível ver Juliana, ainda com trajes de banho, no saguão de entrada da academia, gesticulando e demonstrando claros sinais de falta de ar. A mulher se senta e passa a ser amparada por outras pessoas presentes no local. Ao longo do vídeo, outras indivíduos com trajes de banho começam a aparecer no espaço. Mais de quatro minutos depois, a aluna é levantada com ajuda e levada para fora da academia.
Nesse mesmo instante, o homem que manipulou os produtos químicos aparece sem camisa, com um pano cobrindo o rosto. Outras câmeras da academia mostram um indivíduo misturando e manipulando químicos dentro do ambiente da piscina, próximo a alunos que ainda estavam na água. As imagens são de uma área localizada nos fundos da piscina.
Ambiente Fechado Pode Ter Concentrado Gases Tóxicos
De acordo com o delegado, o manobrista deixou o preparo da mistura ao lado da piscina, aguardando o término da aula para aplicar o produto na água. A hipótese investigativa sugere que, por se tratar de um ambiente fechado, os gases liberados subiram e as pessoas presentes teriam se asfixiado. "No dia, por volta das 13h20, era a última aula. Então esse rapaz levou o preparo, a mistura, e colocou próximo à piscina pois estava esperando acabar a aula para jogar o produto na água, que estava bastante turva. Mas ele saiu do ambiente. Como era muito fechado, bem claustrofóbico, começaram a exalar os gases e as pessoas foram asfixiadas", explicou Alexandre Bento.
O delegado destacou que o marido da professora percebeu a situação rapidamente e começou a alertar todos os presentes. "Graças ao marido da Juliana, que percebeu rapidamente e começou a pedir para as pessoas deixarem a piscina, foi que outras pessoas não chegaram a falecer", afirmou. A polícia ressalta que o espaço onde fica a piscina possui pouca circulação de ar, o que pode ter contribuído significativamente para a concentração dos gases liberados.
Cinco Pessoas Foram Vítimas do Incidente
Segundo informações do delegado, cinco pessoas foram vítimas da ocorrência. No momento da aula, havia nove alunos na piscina. "O rapaz de 14 anos está internado respirando com auxílio de aparelhos, o próprio marido da Juliana está internado em estado grave, e temos duas vítimas que já tiveram alta e passam bem. São cinco vítimas", detalhou. Ainda de acordo com a autoridade policial, a academia funciona há muitos anos no bairro, mas a atual administração é recente. "A academia é bem antiga no bairro, mas a nova administração é recente, tem cerca de dois anos. A empresa não tinha alvará de funcionamento. As instalações elétricas são precárias. Então, tudo isso será apurado no inquérito", completou.
Academia Lacrada por Irregularidades Documentais
A Subprefeitura da Vila Prudente informou que a unidade foi lacrada devido a irregularidades documentais. Segundo o órgão, a academia não possuía licença para funcionamento, e vistorias iniciais apontaram que a segurança do local era precária. Em nota, a academia C4 Gym afirmou que prestou atendimento imediato a todos os envolvidos, está em contato oferecendo suporte às vítimas e colabora com as investigações em andamento.



