Manobrista se apresenta à polícia após morte de professora em piscina de academia em SP
O manobrista da academia C4 Gym, apontado como responsável pela manutenção da piscina onde faleceu a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, na Zona Leste de São Paulo, compareceu na manhã desta terça-feira (10) à delegacia que investiga o caso. O indivíduo chegou acompanhado por advogados de defesa e com o rosto coberto, evitando ser identificado. Ele está prestando depoimento no 42° Distrito Policial do Parque São Lucas, onde as autoridades apuram a morte da educadora e a internação de outras quatro pessoas.
Suspeita de intoxicação por produtos químicos
A principal linha de investigação sugere que a manipulação inadequada de produtos químicos próximo à área de aulas de natação pode ter causado a intoxicação das vítimas. O espaço é descrito como fechado e com ventilação insuficiente, o que potencialmente agravou a situação. Imagens obtidas pela TV Globo mostram o manobrista manuseando esses produtos momentos antes de Juliana Bassetto e seu marido passarem mal.
Segundo o delegado responsável pelo caso, o manobrista era o encarregado da manutenção da piscina, mas testemunhas relataram que a academia não contava com um técnico qualificado para essa função. A polícia afirma que ele não possuía as licenças necessárias para manusear substâncias químicas, levantando questões sobre a segurança do local.
Academia interditada e licença em processo de cassação
A Prefeitura de São Paulo iniciou o processo de cassação da licença de funcionamento da C4 Gym, que foi interditada preventivamente devido a irregularidades de segurança. A subprefeitura da Vila Prudente destacou que a licença atual está em nome do antigo proprietário, não vinculada ao CNPJ atual da academia, o que motivou a ação administrativa.
Juliana Faustino Bassetto faleceu após problemas respiratórios durante uma aula de natação. Seu marido, Vinícius de Oliveira, e outros três alunos permanecem internados, dois deles em estado grave em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Os donos da academia também são aguardados para depor na delegacia.
Histórico de problemas e relatos de mães
Mães de ex-alunos da C4 Gym relataram ao SP1, da TV Globo, que a piscina já apresentava questões desde abril de 2024, com excesso de produtos químicos na água. Fabiana Borges, mãe de uma criança que frequentava as aulas, descreveu crises de tosse intensas na filha após as atividades, além de desbotamento de roupas e odor forte persistente.
"Teve um episódio em que ela entrou na piscina e, ao sair, o maiô estava totalmente desbotado", contou Fabiana. Ela registrou uma reclamação na administração da academia, que admitiu em e-mail o uso de ozônio e uma quantidade mínima de cloro no tratamento da água.
Ionice Lucindo, outra mãe, relatou que seu filho desenvolveu problemas de bronquiolite agravados durante as aulas. "Era um cheiro muito forte, que penetrava e dava alergia na criança. Tive que tirá-lo da aula, porque senão ele poderia ter complicações sérias", afirmou. Ionice também mencionou que não obteve reembolso do plano anual após retirar a criança das atividades.
Posicionamento da academia e investigações em andamento
Os advogados da C4 Gym renunciaram ao caso, e nenhum outro representante legal foi localizado para comentar. Em redes sociais, a direção da academia expressou pesar pelo ocorrido e afirmou estar prestando suporte aos envolvidos, além de colaborar com as investigações.
A empresa declarou possuir Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), regularidade junto ao Conselho Regional de Educação Física (CREF) e alvará da Vigilância Sanitária válido desde 2023. No entanto, a polícia e a prefeitura continuam a apurar as circunstâncias que levaram à tragédia, focando na possível negligência no manejo de produtos químicos e nas condições de segurança da piscina.



