Polícia de SP investiga intoxicação fatal em piscina de academia; manobrista manipulava produtos químicos
Intoxicação fatal em piscina de academia de SP: polícia investiga

Polícia de SP investiga intoxicação fatal em piscina de academia; manobrista manipulava produtos químicos

A polícia de São Paulo está empenhada em decifrar o mistério por trás da intoxicação coletiva que ocorreu durante uma aula de natação em uma academia da capital paulista. O incidente, que já resultou em uma morte e deixou quatro pessoas hospitalizadas, tem como foco central a análise da água da piscina, onde suspeita-se que uma substância desconhecida tenha sido introduzida.

Detalhes do caso e vítimas

Nesta segunda-feira, 9 de setembro, foi enterrado o corpo de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, que faleceu na madrugada de domingo após passar mal logo após a aula de natação. A professora, que frequentava as aulas com o marido há quase um ano, foi uma das cinco pessoas afetadas pelo episódio. Seu marido, Vinícius Oliveira, de 31 anos, e o aluno Gabriel Ribas, de 14 anos, encontram-se internados em estado grave na UTI. Outros dois alunos que participaram da mesma aula também foram hospitalizados, embora em condições menos críticas.

Gravações de segurança e atuação do manobrista

Câmeras de segurança da academia registraram momentos cruciais que antecederam a tragédia. As imagens mostram um homem, identificado pela polícia como o manobrista do estabelecimento, manipulando material em um espaço próximo à piscina antes do início da aula. Ele é visto transportando um galão para a área da piscina, ação que desperta suspeitas sobre a possível origem da contaminação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Nas gravações, Juliana, usando uma touca rosa, e seu marido são observados nadando. Pouco tempo depois, ela sai da piscina com a ajuda de Vinícius, demonstrando sinais de mal-estar. Em seguida, Juliana aparece na entrada da academia, sentada e com dificuldade para respirar, enquanto o marido permanece ao seu lado. O homem retira o galão da área, e Juliana é ajudada a sair do local, amparada pelo marido e outras pessoas.

Acusações de negligência e renúncia de advogados

Em depoimento à polícia, a recepcionista da academia afirmou ter chamado socorro assim que os alunos começaram a passar mal. No entanto, Felipe de Oliveira, irmão de Vinícius, contesta essa versão, alegando que a academia não prestou qualquer assistência. “Eles não prestaram socorro, ao contrário do que têm dito. Meu irmão saiu dirigindo e foi até o hospital com ela. Ela deu entrada de maiô”, relatou.

Os advogados da academia C4Gym comunicaram à polícia, na tarde desta segunda-feira, que renunciaram ao caso. Até o momento, nenhum outro representante legal se manifestou para defender a empresa, o que aumenta as incertezas sobre a responsabilidade no episódio.

Irregularidades e investigações em andamento

Segundo a polícia, testemunhas revelaram que a academia não contava com um responsável técnico para a manutenção da piscina, tarefa que era realizada pelo manobrista. Os depoimentos do funcionário e dos donos do estabelecimento eram aguardados para esta segunda-feira, mas eles não compareceram. A polícia planeja ouvi-los nos próximos dias para esclarecer os fatos.

A Subprefeitura de Vila Prudente interditou preventivamente a academia e informou que encontrou irregularidades na documentação da empresa. Com base nisso, foi iniciado o processo de cassação da licença de funcionamento, o que pode resultar em penalidades severas para o negócio.

Alertas sobre manipulação de produtos químicos

O professor de química da USP, Reinaldo Bazito, destacou a importância do cuidado na manipulação de cloro e outros produtos utilizados em piscinas. “Se você sentir um cheiro muito intenso de cloro, saia da água. Ela não pode estar cheirando intensamente a cloro. O cheiro de cloro tem que ser superficial, porque a quantidade necessária para desinfetar a água não é tão elevada assim”, explicou. Suas observações servem como um alerta para evitar acidentes similares no futuro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A investigação continua, com a polícia coletando evidências e depoimentos para determinar a causa exata da intoxicação e responsabilizar os envolvidos. A comunidade local e familiares das vítimas aguardam respostas sobre esse trágico evento que chocou São Paulo.