Prefeitura de São Paulo inicia cassação de licença da academia após tragédia
A Prefeitura de São Paulo anunciou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que deu início ao processo de cassação da licença de funcionamento da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, na Zona Leste da capital paulista. A medida ocorre após a morte de uma professora e a internação de outras quatro pessoas, incluindo o marido da vítima em estado grave, durante uma aula de natação.
Segundo informações da Subprefeitura da Vila Prudente, o estabelecimento foi interditado preventivamente devido a irregularidades relacionadas à segurança do local. A prefeitura destacou que a academia possui um Auto de Licença de Funcionamento, mas este documento está em nome do antigo proprietário e não vinculado ao CNPJ atual da empresa, o que motivou a ação de cassação.
Detalhes do caso e suspeitas das autoridades
A vítima fatal foi identificada como Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, que passou mal durante uma aula de natação e não resistiu. As investigações policiais apontam que a principal suspeita é a manipulação inadequada de produtos químicos próximo à área da piscina, em um ambiente fechado e com pouca ventilação.
Imagens obtidas pela TV Globo mostram um funcionário, que atuava como manobrista e era responsável pela manutenção da piscina, manuseando produtos químicos momentos antes do incidente. Testemunhas ouvidas no inquérito relataram que a academia não contava com um responsável técnico qualificado para cuidar da piscina.
O manobrista está sendo procurado pela polícia e, de acordo com as autoridades, não possuía as licenças necessárias para manusear produtos químicos. Os proprietários da C4 Gym são esperados para prestar depoimento na delegacia nesta terça-feira, 10 de fevereiro.
Situação dos envolvidos e resposta da academia
Além de Juliana Bassetto, seu marido, Vinícius de Oliveira, encontra-se internado em estado grave. Outros três alunos da academia também estão hospitalizados, dois deles em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em condições críticas.
Os advogados da academia renunciaram ao caso, e nenhum outro representante legal foi localizado para comentar a situação. Nas redes sociais, a direção da C4 Gym emitiu uma nota lamentando profundamente o ocorrido e afirmando que prestou atendimento imediato a todos os envolvidos.
A empresa também declarou que mantém contato direto com alunos e familiares para oferecer suporte e que está colaborando integralmente com as investigações. Sobre a regularidade, a academia informou possuir Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), alvará da Vigilância Sanitária válido desde 2023 e registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF).
Histórico de problemas e relatos de mães de alunos
Mães de ex-alunos da C4 Gym relataram ao SP1, da TV Globo, que a unidade já apresentava problemas na piscina desde abril de 2024. Fabiana Borges, mãe de uma criança que frequentava as aulas, contou que sua filha teve crises intensas de tosse após nadar, com cheiro persistente de cloro no corpo e até desbotamento do maiô.
“Teve um episódio que ela veio, entrou na piscina e, quando saiu, o maiô dela estava totalmente desbotado”, afirmou Fabiana. Ela registrou uma reclamação na administração da academia, que admitiu, por e-mail, tratar a água com ozônio e uma quantidade mínima de cloro.
Outra mãe, Ionice Lucindo, relatou que seu filho desenvolveu problemas de bronquiolite que se agravaram durante as aulas. “Ele tossia, tossia e vomitava. Era um cheiro muito forte, que penetrava e dava alergia na criança”, disse Ionice, que precisou retirar o filho das atividades. Ela também afirmou que não teve o valor do plano anual devolvido pela academia.
Ambas as mães destacaram que a gerência da unidade atribuiu os problemas a uma falha na máquina de ozônio, que foi reparada, mas os incidentes persistiram, culminando na tragédia do último sábado, 7 de fevereiro.



