Uma celebração de Ano Novo terminou em tragédia na estação de esqui de luxo de Crans-Montana, nos Alpes suíços. Um incêndio devastador no bar Le Constellation, na madrugada de 1º de janeiro, causou a morte de aproximadamente 40 pessoas e deixou 115 feridos, muitos em estado grave.
Cenas de pânico e caos no coração dos Alpes
O fogo começou por volta das 21h30 de quarta-feira (horário de Brasília), quando o estabelecimento, com capacidade para 300 pessoas internamente e mais 40 na varanda, estava lotado, principalmente por jovens turistas estrangeiros. Testemunhas descreveram momentos de terror, com clientes tentando quebrar janelas para escapar e outros correndo pelas ruas com graves queimaduras.
"Pensamos que era apenas um pequeno incêndio, mas quando chegamos lá era uma tragédia. Essa é a única palavra que posso usar para descrever: apocalipse. Foi terrível", relatou Mathys, morador da cidade vizinha de Chermignon-d'en-Bas, à agência France-Presse (AFP).
Nathan, outro jovem que esteve no local, viu vítimas queimadas saindo do bar. "Elas pediam ajuda, gritavam por socorro", contou. A confusão e a dimensão da tragédia dificultam o trabalho das autoridades, que ainda não determinaram o número exato de pessoas que estavam no local nem quantas permanecem desaparecidas.
Investigação apura possíveis falhas e origem das chamas
As causas do incêndio ainda são investigadas. A procuradora-geral do cantão, Béatrice Pilloud, afirmou que a apuração vai verificar se o bar cumpria as normas de segurança, incluindo o número adequado de saídas de emergência.
Embora as autoridades tenham descartado um atentado, depoimentos à imprensa suíça, francesa e italiana sugerem que a tragédia pode ter começado durante um "espetáculo" habitual do bar. De acordo com relatos, funcionárias carregavam garrafas de champanhe com pequenos sinalizadores, que se aproximaram muito do teto e teriam iniciado o fogo.
"Havia algumas senhoras, funcionárias, com garrafas de champanhe com pequenos sinalizadores. Elas se aproximaram muito do teto e, de repente, pegou fogo", disse Axel, presente durante a tragédia, à publicação italiana Local Team. O ministro regional do Valais, Stéphane Ganzer, mencionou uma explosão, mas a considerou consequência do incêndio, não sua causa original.
Vítimas internacionais e uma longa espera por respostas
Dada a natureza internacional da estação de esqui, as autoridades confirmam que cidadãos estrangeiros estão entre as vítimas. A polícia mantém contato com várias embaixadas. A Itália informou que 15 de seus cidadãos ficaram feridos e um número similar está desaparecido. A França confirmou nove feridos e oito desaparecidos.
O presidente suíço, Guy Parmelin, que assumiu o cargo um dia antes da tragédia, classificou o incidente como "uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes". Ele decretou luto oficial, com bandeiras hasteadas a meio mastro por cinco dias.
O processo de identificação das vítimas, no entanto, será longo e doloroso. A polícia advertiu que pode levar dias ou semanas, prolongando a angústia de familiares e amigos. "Tentamos localizar os nossos amigos. Tiramos muitas fotos e postamos no Instagram, no Facebook e em todas as redes sociais possíveis para tentar encontrá-los", disse Eleonore, de 17 anos. "Mas não há nada. Sem resposta".
Enquanto isso, o serviço de emergência do principal hospital da região de Valais ficou sobrecarregado. Alguns feridos graves foram transferidos para cidades como Lausanne, Genebra e Zurique, e até para hospitais na França e na Itália. A União Europeia ofereceu assistência médica às autoridades suíças.
Na sexta-feira (2), o local da tragédia foi isolado com fitas de precaução e coberto por flores e velas, um memorial improvisado para as dezenas de vidas brutalmente interrompidas na noite que deveria marcar um novo começo.