Goiânia possui 120 áreas de risco com mais de 6 mil pessoas em situação vulnerável
Goiânia tem 120 áreas de risco e mais de 6 mil pessoas vulneráveis

Goiânia possui 120 áreas de risco com mais de 6 mil pessoas em situação vulnerável

Um levantamento técnico minucioso identificou a existência de 120 áreas de risco geo-hidrológico na capital goiana, Goiânia, onde residem aproximadamente 6.464 pessoas em situação de vulnerabilidade. Os dados alarmantes integram o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), uma iniciativa elaborada pelo Governo Federal em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB).

De acordo com o estudo, cerca de 1.616 imóveis estão localizados em áreas classificadas como risco médio, alto ou muito alto. A análise revela que 27 áreas foram classificadas com risco muito alto, concentrando 576 imóveis e cerca de 2.304 pessoas. Outras 49 áreas receberam a classificação de risco alto, abrigando 538 imóveis e aproximadamente 2.152 pessoas. Já as áreas de risco médio somam 44 setores, com 502 imóveis e cerca de 2.008 pessoas expostas.

Compreendendo o conceito de risco

Segundo o pesquisador em geociências do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Rodrigo Luiz Gallo Fernandes, o risco é resultado da interação entre três fatores fundamentais: o perigo de ocorrer um evento adverso, a vulnerabilidade da construção e a exposição das pessoas. "O risco é a interação entre o perigo, a vulnerabilidade e a exposição. Se a gente elimina um desses fatores, o risco deixa de existir", explicou o especialista.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Fernandes ressalta que o risco não é estático, podendo se agravar progressivamente ao longo do tempo conforme a ocupação urbana avança e intervenções inadequadas se acumulam. O geólogo e chefe da Divisão de Geologia Aplicada do SGB, Thiago Antonelli, destacou que a identificação das áreas de risco foi realizada através de um levantamento de campo detalhado, percorrendo todas as ruas do município para localizar residências sujeitas a inundações, escorregamentos e erosões.

Principais problemas identificados no estudo

O estudo aponta que os processos mais recorrentes nas áreas mapeadas são as inundações, que atingem cerca de 40% dos setores identificados, seguidas pelas erosões, responsáveis por 34% dos casos, além dos deslizamentos. Dos 120 setores analisados, 54 estão associados a processos hídricos, como inundações, enxurradas e alagamentos. Aproximadamente 4 mil pessoas vivem em áreas afetadas por riscos relacionados à água.

As áreas críticas concentram-se principalmente nas bordas de canais como o Rio Meia Ponte e os córregos Cascavel, Botafogo, Anicuns e João Leite. Antonelli alerta que a maior parte das residências em risco em Goiânia está associada a processos hidrológicos, como enxurradas e inundações, além de erosões favorecidas pelas características do solo, considerado friável. "A tendência é que os eventos chuvosos sejam mais volumosos e mais bruscos. Isso gera enxurradas e inundações repentinas que podem afetar a economia das pessoas e até causar mortes", afirmou.

Rede hidrográfica e causas dos problemas

Goiânia possui uma rede hidrográfica composta por 85 cursos d'água, incluindo o Rio Meia Ponte, afluente do Rio Paranaíba. O estudo aponta que diversos fatores contribuem para o agravamento dos eventos:

  • Ocupação desordenada de planícies de inundação e Áreas de Preservação Permanente (APPs)
  • Retirada da vegetação ciliar
  • Impermeabilização excessiva do solo
  • Falta de infraestrutura adequada de drenagem

Há registros de água ultrapassando dois metros de altura em períodos de chuva intensa em alguns trechos. Também foram identificados casos de erosão avançando até 15 metros ao longo de 20 anos, além do uso irregular de lixo e entulho para contenção de encostas, o que agrava significativamente os problemas.

Medidas para reduzir os riscos identificados

Para enfrentar essa situação crítica, o plano apresenta 60 recomendações técnicas. Entre as principais medidas propostas estão:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  1. Fortalecimento e formalização da Defesa Civil municipal, com estrutura permanente de atuação
  2. Implantação de sistema de monitoramento geotécnico
  3. Atualização do plano de contingência para situações de emergência
  4. Manutenção regular das drenagens pluviais e dos canais de córregos

O PMRR também funciona como instrumento estratégico para que o município possa captar recursos federais voltados à prevenção de desastres. Os mapas detalhados com a localização dos bairros classificados como áreas de risco devem ser disponibilizados para consulta pública após a apresentação oficial do plano.

Bairros com áreas de risco identificadas

Entre os bairros mencionados no estudo como possuindo áreas de risco estão:

  • Jardim Novo Mundo
  • Jardim América
  • Vila Romana
  • Vila Roriz
  • Setor Bueno
  • Setor Campinas
  • Setor Urias Magalhães
  • Setor Perim
  • Conjunto Caiçara
  • Residencial Recanto do Bosque
  • Jardim das Aroeiras
  • Vila Santa Efigênia
  • Parque Amazônia
  • Setor Aeroporto
  • Setor Norte Ferroviário