Perícia aponta quatro falhas construtivas em laje que matou criança em Porto Alegre
Falhas construtivas em laje que matou criança em Porto Alegre

Perícia revela múltiplas falhas em laje que desabou e matou criança em Porto Alegre

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) concluiu que o desabamento de uma laje de concreto, que resultou na morte de uma criança de sete anos e deixou outras duas feridas em Porto Alegre, foi consequência de pelo menos quatro graves falhas construtivas. O trágico acidente ocorreu no bairro Bom Jesus, na zona leste da capital gaúcha, no início deste ano, vitimando fatalmente a pequena Valentina Scalon.

Quatro fatores críticos identificados no laudo pericial

De acordo com o documento técnico elaborado pelos peritos, a primeira e mais significativa falha foi "a adoção de sistemas construtivos em desacordo com as boas práticas de engenharia civil", o que comprometeu diretamente a qualidade estrutural da laje. O laudo detalha ainda outros três problemas fundamentais:

  • Exposição das armaduras de aço: As estruturas metálicas internas do concreto ficaram desprotegidas e expostas à ação direta das intempéries, levando a um processo acelerado de corrosão que "comprometeu a capacidade portante da laje".
  • Infiltrações persistentes: Ficou comprovada a "existência de infiltração" que penetrou na estrutura, reduzindo drasticamente a vida útil do elemento construtivo.
  • Falta de manutenção preventiva: A combinação desses fatores indica negligência na conservação adequada da edificação.

Investigação policial em fase final

A delegada Luciana Peres Smith, responsável pelas investigações do caso, informou que o inquérito deve ser remetido ao Poder Judiciário ainda este mês. "Vou revisar e ver se está tudo completo ou se a gente vai fazer mais alguma pendência", afirmou a autoridade policial. Até o momento, a opção da polícia é de não indiciar nenhum suspeito, aguardando a conclusão de todos os trâmites legais.

Relembrando a tragédia do dia 6 de janeiro

Na tarde de 6 de janeiro, Valentina Scalon brincava em uma piscina residencial junto com dois primos, um menino de sete e outro de nove anos, quando a estrutura da laje cedeu repentinamente. Testemunhas relataram que inicialmente o muro lateral do imóvel desabou, seguido pelo colapso completo da laje sobre a área de lazer. Os dois meninos que acompanhavam Valentina foram rapidamente socorridos, encaminhados para atendimento médico emergencial e, felizmente, receberam alta após os devidos cuidados.

A tragédia chocou a comunidade do Bom Jesus e levantou importantes questionamentos sobre a segurança das construções residenciais na cidade. Especialistas em engenharia civil destacam que casos como este evidenciam a necessidade de rigorosos controles de qualidade durante as obras e de manutenção periódica das estruturas existentes, especialmente em áreas sujeitas a uso intensivo como piscinas e espaços de convivência familiar.