Estrutura ilegal desaba em Teresina, atinge idoso e deixa funcionários presos em lojas
Uma marquise que desabou na Avenida Principal do Dirceu, em Teresina, na terça-feira (14), não possuía autorização para ser implantada no local, conforme revelou a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Sudeste. O colapso da estrutura causou danos significativos em quatro estabelecimentos comerciais e resultou em ferimentos leves em um idoso de 63 anos, além de deixar quatro funcionários temporariamente presos dentro das lojas.
Falta de autorização e problemas estruturais
Davi Tajra, superintendente executivo da SDU Sudeste, explicou que a construção da marquise não estava prevista no projeto original do imóvel. "As marquises não estavam legalizadas no local", afirmou Tajra, destacando que o acúmulo de água nos materiais, combinado com a falta de um projeto adequado, provavelmente levou ao desabamento. Ele ressaltou que pontos comerciais alugados frequentemente adicionam estruturas sem acompanhamento técnico, o que aumenta os riscos.
Hércules Medeiros, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (CREA‑PI), que vistoriou o local, confirmou as deficiências. "Essa estrutura aqui é feita só na alvenaria, sem o reforço de concreto armado", disse Medeiros. Ele explicou que, sem impermeabilização adequada, a umidade das chuvas recentes enfraqueceu a alvenaria, tornando-a menos resistente e culminando no colapso.
Incidente e resgate dramático
O idoso Adão Campelo da Fonseca, de 63 anos, estava passando pela calçada no momento do desabamento e foi atingido por parte do teto. "Eu estava indo para a parada de ônibus e caiu de uma vez", relatou Adão, que sofreu ferimentos leves. Curiosamente, um manequim de uma das lojas caiu durante o acidente e segurou um ferro que poderia ter caído diretamente sobre ele, conforme contou a funcionária Natália Cavalcante.
Natália, que estava dentro da loja no momento do incidente, sofreu um leve choque ao tentar ajudar o idoso. "Desmoronou de uma hora para outra, foi terrível. Eu pensei que tinha matado alguém, mas graças a Deus, o senhor que ficou debaixo foi resgatado com vida", afirmou ela. Ela também mencionou que havia notado sinais de cedimento na fachada devido às chuvas, com água escorrendo pela parede.
Os quatro funcionários que ficaram presos nas lojas – que incluem duas lojas de roupa, uma de tecidos e outra de celulares – foram retirados sem ferimentos, mas o susto foi grande. A via foi interditada temporariamente para a remoção dos escombros e investigações.
Recomendações e prevenção
Tajra e Medeiros enfatizaram a necessidade de acompanhamento profissional para construções desse tipo. Tajra orientou que comerciantes interessados em implantar estruturas semelhantes devem apresentar um projeto de Anotação de Responsabilidade Técnica na sede da SDU Sudeste, em conjunto com o CREA. Medeiros acrescentou que manutenções constantes são cruciais para evitar futuros acidentes.
Este incidente serve como um alerta para a importância de seguir normas de segurança e legalização em construções urbanas, especialmente em áreas comerciais movimentadas como a Avenida Principal do Dirceu.



