Cratera em São Vicente agrava crise em edifício com histórico de problemas estruturais e disputa judicial
Cratera agrava risco em edifício com disputa judicial em São Vicente

Cratera após temporal intensifica risco em edifício de São Vicente envolvido em disputa judicial

Uma cratera de proporções significativas se abriu na Rua Pero Lopes de Souza, localizada em frente ao Edifício Solaris, na Vila Valença, em São Vicente, no litoral paulista. O evento ocorreu após as fortes chuvas registradas na quinta-feira, dia 5, agravando uma situação já crítica para o prédio, que possui um histórico extenso de complicações estruturais e enfrenta uma disputa judicial com a construtora responsável pela obra há aproximadamente cinco anos.

Isolamento e relatos alarmantes dos moradores

A Prefeitura de São Vicente agiu rapidamente, isolando a área da cratera para assegurar a segurança de pedestres e motoristas que transitam pelo local. Em contrapartida, a Defesa Civil avaliou que, no momento atual, não há necessidade de interdição do edifício, embora tenha reconhecido que a abertura do buraco está diretamente relacionada às condições precárias do subsolo do prédio.

Um morador do Solaris, que preferiu não se identificar, revelou detalhes preocupantes sobre a situação interna. Segundo ele, a água acumulada na garagem atingiu níveis alarmantes, chegando ao teto, enquanto as rachaduras presentes em apartamentos e corredores têm se intensificado a cada novo episódio de chuva. O morador acrescentou que o subsolo está interditado desde o ano de 2020, obrigando os residentes a estacionarem seus veículos na rua, o que gera inconvenientes e preocupações adicionais.

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Divergências sobre as causas do problema

O Condomínio Residencial Solaris emitiu uma nota oficial informando que um laudo pericial recente apontou falhas críticas na drenagem do subsolo. Essas falhas teriam provocado o surgimento de rachaduras no piso e o acúmulo excessivo de areia, comprometendo ainda mais a estabilidade da estrutura. De acordo com o condomínio, a responsabilidade pelas obras de reparação necessárias recai inteiramente sobre a construtora original.

Por outro lado, o advogado representante da construtora apresentou uma versão divergente ao g1. Ele argumentou que os problemas no subsolo têm origem externa ao edifício, especificamente relacionada às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Segundo a defesa, essas obras criaram uma barreira que bloqueou o escoamento natural da água da chuva em direção ao mar. O canal remanescente não teria capacidade para comportar o volume necessário de escoamento, resultando em acúmulo de água na via pública e reflexos negativos no empreendimento.

Histórico de problemas recorrentes

Este não é o primeiro incidente do tipo no local. Em 2025, uma cratera similar já havia se aberto no mesmo ponto. Na ocasião, a Prefeitura de São Vicente informou que a possível causa seria uma obra irregular, realizada sem alvará no subsolo do edifício. Após uma avaliação técnica minuciosa, o município afirmou que o problema não tinha relação com falhas na rede de drenagem municipal nem com a rede de esgoto administrada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Os transtornos no subsolo do Edifício Solaris se arrastam desde o ano de 2020. Após um período de chuvas intensas na época, moradores relataram que a água atingiu cerca de três metros de altura na garagem, com acúmulo persistente de lama e areia por vários dias. Parte do piso chegou a estufar e apresentar rachaduras visíveis, enquanto a água invadiu os elevadores, deixando-os fora de funcionamento por um tempo considerável.

Disputa judicial sem solução à vista

O condomínio ingressou com uma ação judicial contra a construtora em abril de 2019, buscando responsabilização e reparação pelos danos estruturais. No entanto, o caso segue sem uma solução definitiva, prolongando a incerteza e os riscos para os moradores. A combinação de fatores naturais, como as chuvas recentes, com as disputas legais e as condições precárias da infraestrutura, cria um cenário complexo que demanda atenção urgente das autoridades e das partes envolvidas.

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