Corrida de rua em Ribeirão Preto provoca revolta de moradores com barulho excessivo no domingo
Os moradores do bairro Jardim Nova Aliança, localizado na zona Sul de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, utilizaram intensamente as redes sociais neste domingo, dia 29, para expressar sua indignação com a organização de uma corrida de rua. O principal motivo das críticas foi a perturbação do sossego público, causada pelo barulho excessivo, especialmente da apresentação do evento, que teve início por volta das 6h30 da manhã.
Reclamações em massa e impacto em criança com condição especial
Uma situação particularmente grave envolveu uma criança de 9 anos, portadora da síndrome de Williams, condição que provoca hipersensibilidade auditiva. Segundo a família, o barulho intenso desencadeou uma crise no menino, que sofre com a amplificação dos sons devido à sua condição. O pai, Carlos Eduardo Trevisan de Lima, advogado público, relatou que o filho ficou desestabilizado, chorando e gritando, mesmo com todas as janelas fechadas em seu apartamento, que fica em frente ao hotel Tryp by Wyndham, local de concentração da prova.
Lima destacou que, embora compreenda a importância do esporte, considerou o barulho desproporcional, especialmente em um domingo, dia tradicionalmente reservado para descanso. "Me pareceu que não é razoável num domingo, que é um dia de descanso, um barulho daquela altura às 6h da manhã", afirmou, ressaltando que a questão afeta toda a comunidade, não apenas sua família.
Onda de protestos nas redes sociais e ação da polícia
Desde as primeiras horas da manhã, os moradores começaram a trocar mensagens em grupos de WhatsApp, com cerca de mil membros, reclamando do volume do som. Frases como "Que alto-falante do inferno é esse logo cedo?", "Está alto demais", "Só acordou todo mundo em domingo cedo", "Que falta de respeito" e "Insuportável essa gritaria" foram comuns. A Polícia Militar recebeu várias chamadas relatando a perturbação do sossego, demonstrando a extensão do incômodo.
Além disso, os residentes deixaram críticas nas redes sociais da Brunch Run e do Tryp by Wyndham, mas alegaram que as publicações estavam sendo apagadas pelos moderadores das contas. Um vizinho da família afetada, Jivan Iacchetto, chegou a ir pessoalmente ao evento para pedir a redução do barulho, movido pela situação da criança. "Eu acho o esporte muito valioso, as pessoas têm que realmente se exercitar, a iniciativa é muito boa, mas ela precisa ter limites porque o menino sofreu muito", declarou.
Detalhes do evento e respostas dos organizadores
A Brunch Run, realizada pela Oxxo Entretenimento, ocorreu nas avenidas José Cesário Monteiro da Silva e Presidente Vargas, com participantes inscritos nos percursos de 4 km e 8 km, além de caminhada e categoria kids. A largada estava programada para as 7h, e o evento incluía um café da manhã completo com música ao vivo para os corredores. Embora a organização tenha apresentado alvará da Prefeitura de Ribeirão Preto autorizando a prova, o documento salienta que não pode haver perturbação ao sossego público, sob pena de sanções legais.
Em nota, a Brunch Run informou que o evento esportivo contou com todas as autorizações necessárias dos órgãos competentes e ocorreu em horário permitido para atividades esportivas, com estrutura de som voltada à organização e segurança. "De toda forma, já estamos avaliando internamente os pontos levantados para entender possíveis ajustes e garantir que as próximas edições ocorram com o menor impacto possível para o entorno", afirmou a empresa.
O TRYP by Wyndham, por sua vez, esclareceu que manteve uma parceria pontual restrita ao coffee break, mas, diante dos acontecimentos, decidiu não aceitar futuras parcerias com eventos que possam comprometer a tranquilidade da vizinhança. Sobre as acusações de apagar mensagens, a rede hoteleira negou a prática, afirmando seguir diretrizes de moderação baseadas no respeito e diálogo.
Posicionamento da prefeitura e orientações para denúncias
A Prefeitura de Ribeirão Preto confirmou a autorização para a prova através da Subsecretaria de Fiscalização Geral, mas reforçou que os organizadores são orientados a respeitar os limites de emissão sonora estabelecidos pela legislação municipal. A administração pública destacou a importância de registrar ocorrências no momento em que acontecem, com denúncias podendo ser feitas à Guarda Civil Metropolitana (153) ou à Polícia Militar (190).
Este incidente levanta questões sobre o equilíbrio entre a promoção de eventos esportivos e o direito ao sossego dos moradores, especialmente em áreas residenciais. A comunidade aguarda ações concretas para evitar repetições, enquanto os organizadores se comprometem a revisar seus protocolos visando minimizar impactos futuros.



