Cortejo fúnebre improvisado: caixão atravessa rio em balsa no RN após comunidade ficar ilhada
Uma cena de profunda tristeza e resiliência chamou a atenção no Rio Grande do Norte, onde um cortejo fúnebre precisou ser realizado em uma balsa improvisada. A situação ocorreu na comunidade rural Chã do Moreno, em Ielmo Marinho, na Grande Natal, que ficou completamente ilhada devido à cheia do Rio Potengi.
Isolamento desde segunda-feira
O problema começou na segunda-feira, dia 13, quando houve o rompimento da passagem molhada que conecta Chã do Moreno à comunidade vizinha de Igreja Nova, em São Gonçalo do Amarante. Desde então, o único meio de travessia entre as duas localidades tem sido por meio de balsas improvisadas, criando um desafio monumental para os quase 5 mil moradores da região.
Cortejo fúnebre na balsa
Na quarta-feira passada, dia 15, a situação ganhou um contorno ainda mais doloroso. A família de João Pereira Sobrinho, um idoso de 74 anos que faleceu após sofrer um infarto, precisou transportar seu caixão através do rio na balsa improvisada. O objetivo era realizar o sepultamento no cemitério de Igreja Nova, a comunidade vizinha que ficou inacessível por terra.
"Nós temos uma estrada e, no período do inverno, com a ausência da ponte, com a falta da ponte, a gente passa aqui no que hoje a gente pode chamar de balsa, mas antes era uma tábua amarrada em uma corda, com muita fé em Deus e diante da necessidade a gente faz essa travessia. Estudantes, comerciantes, a vida de quase 5 mil pessoas", relatou a moradora Cacilda Paulino, emocionada.
Dificuldades diárias dos moradores
Com o rompimento da estrutura, a linha de ônibus que atendia a localidade foi imediatamente suspensa. Para se deslocarem, os moradores agora enfrentam um verdadeiro percurso de obstáculos:
- Precisam realizar corridas de mototáxi até a margem do rio
- Pagam uma taxa de R$ 2,50 pela travessia na balsa improvisada
- Após a travessia, ainda precisam pagar passagem das vans que circulam nos municípios vizinhos
Esta realidade tem impactado profundamente estudantes, trabalhadores, comerciantes e toda a população local, que vê sua mobilidade severamente comprometida.
Reivindicação por uma ponte definitiva
Os moradores têm reivindicado insistentemente a construção de uma ponte definitiva, argumentando que o trecho faz parte da RN-312 e, portanto, deveria receber manutenção adequada. No entanto, há um impasse burocrático sobre a responsabilidade pela via.
O que diz o DER
Em nota oficial enviada na sexta-feira, dia 17, o Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN) negou que o trecho onde ocorreu o incidente faça parte da rede estadual. "O Departamento de Estradas de Rodagem (DER/RN) verificou e constatou que não existem trechos sem pavimentação na rodovia RN-312, entre os municípios de São Gonçalo do Amarante e Ielmo Marinho, onde foi registrado o alagamento. Logo, a região apontada não faz parte do Sistema Rodoviário Estadual, e não está sob a responsabilidade do DER", afirmou o comunicado oficial.
Busca por soluções
A Inter TV Cabugi procurou as prefeituras de Ielmo Marinho e São Gonçalo do Amarante para esclarecer sobre possíveis soluções para a região. Até o momento da última atualização desta reportagem, as autoridades municipais não haviam se manifestado oficialmente sobre o caso.
A situação permanece crítica, com milhares de pessoas dependendo de uma travessia precária enquanto aguardam uma solução definitiva para o problema de infraestrutura que já dura vários dias.



