Caçada noturna captura mais de 100 escorpiões em Conchal após morte trágica de menino
Uma operação incomum mobilizou moradores do Jardim São Paulo, em Conchal, interior de São Paulo, na noite de terça-feira (7). Armados com alicates, lanternas de luz ultravioleta e potes de vidro, os residentes realizaram uma verdadeira "caçada aos escorpiões" como resposta à morte do menino Bernardo Lima Mendes, de apenas 3 anos, ocorrida no dia 1º de abril após uma picada do aracnídeo.
Reação comunitária e números alarmantes
Segundo relatos dos próprios moradores, mais de 100 escorpiões foram capturados durante a ação noturna, criando um clima de apreensão generalizada na comunidade. A iniciativa surgiu após a repercussão do caso fatal e de outros dois registros de picadas ocorridos entre 31 de março e 4 de abril na mesma cidade.
Sabrina Gomes, líder administrativa de 27 anos e mãe de um bebê de 1 ano, descreveu a situação como aterrorizante: "Estamos com medo, pois está em toda parte e não temos paz nem pra descansar em casa. O meu marido encontrou 18 escorpiões apenas em um terreno em frente à nossa residência".
Técnicas de captura e relatos assustadores
Os moradores utilizaram lanternas ultravioleta, conhecidas como "luz negra", que fazem os escorpiões brilharem fluorescentemente no escuro, facilitando sua localização. Alicates e potes de vidro completaram o arsenal improvisado para a caçada.
Eduarda Heloise da Silva Balbino, barbeira e moradora do bairro, relatou que vizinhos já encontraram 58 escorpiões na região e compartilhou uma experiência particularmente assustadora: "Achamos 8 no terreno de casa e fomos encontrando mais. Compramos uma lanterna para procurar no quintal e começamos a olhar ao redor. Inclusive achamos um em cima da cama".
Posicionamento oficial e alertas de segurança
A Vigilância Sanitária de Conchal reforçou que não recomenda que moradores tentem capturar escorpiões por conta própria, especialmente em áreas de mata, devido ao alto risco de picadas. O órgão orienta que casos sejam encaminhados à equipe de Zoonoses para manejo adequado.
"A Vigilância Sanitária veio em casa e disse para não ficarmos procurando porque quem procura acha", contou Eduarda. "Eu falei pra eles que vou ficar esperando os escorpiões entrarem em casa? Tem que deixar mais limpo o bairro que moramos, tem restos de materiais de construção, como tijolos, e isso acaba chamando mais os bichos para perto".
Investigação em andamento e contexto trágico
A Polícia Civil investiga suspeita de negligência no hospital onde Bernardo foi atendido. Segundo o pai da criança, o menino recebeu o soro antiveneno mais de 4 horas após o acidente. Bernardo foi picado na noite de terça-feira (31) dentro de casa, levado inicialmente ao Hospital e Maternidade Madre Vannini em Conchal, e depois transferido para a Santa Casa de Araras, onde faleceu na manhã de quarta-feira (1º).
Além deste caso fatal, um adolescente de 13 anos foi picado no bairro Santa Luzia na quarta-feira (1º), recebeu atendimento médico e teve alta no mesmo dia, sem necessidade de soro antiescorpiônico.
Ações municipais e recomendações
A prefeitura informou que já vinha realizando limpeza de terrenos, notificando proprietários e que equipes de Zoonoses estão atuando nos pontos com maior incidência de escorpiões. O município também solicitou a disponibilização do soro antiescorpiônico na cidade para agilizar futuros atendimentos.
A Vigilância Sanitária destacou que uma das áreas onde os animais foram encontrados é uma zona de proteção permanente, considerada ponto crônico para a presença de escorpiões. O órgão reforçou que a população deve manter seus terrenos limpos e sem mato alto, enquanto áreas públicas são de responsabilidade municipal.
Em caso de acidente com escorpião, a recomendação oficial é procurar imediatamente o pronto-socorro do município. Se houver necessidade de soroterapia, o encaminhamento é feito para a Santa Casa de Araras, localizada a 26 quilômetros de Conchal.



