O governo federal anunciou nesta segunda-feira (4) o Novo Desenrola Brasil, iniciativa que busca reduzir o endividamento das famílias e reorganizar o acesso ao crédito no país. A proposta combina renegociação de dívidas com oferta de crédito mais barato, direcionada principalmente a pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). A expectativa da equipe econômica é renegociar até R$ 58 bilhões em débitos, incluindo dívidas antigas e recentes.
O que é o Novo Desenrola Brasil?
O Novo Desenrola Brasil é uma iniciativa nacional com duração de 90 dias, voltada à renegociação de dívidas em atraso. A proposta facilita a regularização financeira dos consumidores, com possibilidade de reduzir o valor devido e recuperar o acesso ao crédito. O programa define novas condições para os acordos, com descontos e limites para os juros nas dívidas renegociadas, e estimula a troca de débitos mais caros por opções com custos menores.
Quem pode participar?
Poderão participar do Desenrola Famílias todos os brasileiros endividados com renda máxima de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Estudantes com dívidas em atraso há mais de 90 dias também poderão renegociar pelo Desenrola Fies. Micro e pequenas empresas e agricultores familiares terão acesso ao programa.
Frentes do programa
O Desenrola 2.0 reúne diferentes iniciativas: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresas e Desenrola Rural. O pacote inclui mudanças nas regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos.
Desenrola Famílias
Principal frente do programa, voltada a pessoas físicas com dívidas em atraso. Permite renegociação de débitos bancários e não bancários por meio de novo crédito com garantia pública, para quitar dívidas antigas com custo elevado. Podem aderir brasileiros com renda mensal de até R$ 8.105.
Dívidas elegíveis
O programa abrange dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, relacionadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Condições oferecidas
Descontos de 30% a 90%, taxa máxima de juros de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses e carência de até 35 dias. Há limite de até R$ 15 mil por pessoa por instituição financeira.
Como aderir
A adesão será feita diretamente pelos canais oficiais dos bancos. O governo não centraliza a contratação.
Dívidas pequenas
Pessoas com dívidas de até R$ 100 terão o nome retirado automaticamente dos cadastros de inadimplência. Quem renegociar também terá o nome limpo após o acordo.
Contrapartidas
Uma das medidas previstas é o bloqueio do CPF do beneficiário em plataformas de apostas por 12 meses, para reduzir o risco de novo endividamento.
Mudanças para os bancos
Instituições financeiras deverão destinar parte dos recursos para educação financeira, restringir o uso de crédito para apostas e garantir a retirada do nome de quem renegociar dívidas.
Desenrola Fies
Voltado a estudantes com dívidas em atraso, prevê descontos conforme o tempo de inadimplência e a participação em programas sociais. Condições incluem pagamento à vista com eliminação de juros e multas, parcelamento com retirada de juros e multas, e reduções maiores para dívidas antigas, podendo chegar a até 99%. Mais de 1 milhão de estudantes podem ser beneficiados.
Desenrola Empresas
Amplia prazos e condições de crédito para micro e pequenas empresas: carência máxima sobe de 12 para 24 meses; prazo de pagamento sobe de 72 para 96 meses; tolerância máxima de atraso sobe de 14 para 90 dias; valor total de crédito para microempresas do Procred sobe de R$ 150 mil para R$ 180 mil; para micro e pequenas empresas do Pronampe sobe de R$ 250 mil para R$ 500 mil.
Desenrola Rural
Voltado a agricultores familiares inadimplentes, busca regularizar dívidas e facilitar o acesso ao crédito rural. A iniciativa já alcançou mais de 500 mil agricultores e pode chegar a 1,3 milhão de produtores familiares.
Fundo Garantidor de Operações (FGO)
O FGO funciona como garantia para os bancos que concedem o novo crédito, reduzindo o risco das operações e permitindo juros mais baixos. Os recursos vêm de valores já disponíveis, novos aportes e valores esquecidos por consumidores em instituições financeiras (saldos de contas encerradas e cobranças indevidas), com parte reservada para resgates futuros.
Uso do FGTS
Trabalhadores poderão usar 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1.000 (o que for maior) na renegociação. O uso será permitido apenas após a renegociação, para garantir a aplicação dos descontos.



