MPF investiga colisão de navio com balsas no Porto de Santos após tripulantes saltarem no mar
MPF investiga colisão de navio com balsas no Porto de Santos

MPF instaura procedimento para investigar colisão de navio com balsas no Porto de Santos

O Ministério Público Federal (MPF) determinou a instauração de um procedimento administrativo cível para investigar a colisão entre duas balsas e o navio porta-contêineres Seaspan Empire no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O incidente ocorreu na noite de segunda-feira (16), quando o navio, com aproximadamente 50 metros de altura, atingiu as balsas FB-15 e FB-14 ao deixar o canal em direção à área de fundeio, devido à falta de espaço para atracação.

Tripulantes saltam no mar sem ferimentos

Durante a colisão, quatro tripulantes das balsas pularam no mar como medida de segurança. Felizmente, ninguém ficou ferido, e todos conseguiram nadar até a margem com a ajuda de pessoas em terra, que jogaram boias e coletes, além de se lançarem ao mar para auxiliar no resgate. A Praticagem, responsável pelo apoio à navegação, enviou lanchas ao local, e os tripulantes foram retirados da água em segurança.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a FB-15 rebocava a FB-14 em direção ao Guarujá quando ocorreu o impacto. As balsas não transportavam passageiros no momento da colisão, e a bordo da FB-15 estavam apenas o comandante e três marinheiros.

Investigações em andamento

A Capitania dos Portos de São Paulo (CP-SP), subordinada à Marinha do Brasil, já instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para investigar as causas da colisão e identificar os responsáveis. Paralelamente, o MPF, por meio do procurador da República Thiago Lacerda Nobre, determinou a abertura de um procedimento administrativo cível, com despacho encaminhado à Subcoordenadoria Jurídica (SubJur) da Procuradoria da República no Município (PRM) Santos na sexta-feira (20).

No documento, o procurador destacou a necessidade de investigação, considerando:

  • A segurança da navegação em área portuária federal
  • A regularidade da operação do serviço de travessia
  • Os possíveis danos a bens ou interesses da União

Para isso, o MPF poderá solicitar informações a diversas entidades, incluindo:

  1. Marinha do Brasil
  2. Autoridade Portuária de Santos (APS)
  3. Praticagem
  4. Empresa responsável pela operação das balsas
  5. Armador do navio

O objetivo é esclarecer a dinâmica do acidente, avaliar danos e providências, e apurar fatores como circunstâncias técnicas da colisão, eventuais falhas operacionais, regularidade da gestão portuária, impactos no serviço de travessia e existência de danos ao patrimônio público.

Detalhes do navio envolvido

O navio Seaspan Empire, construído em 2010, navega sob a bandeira de Singapura e possui porte bruto de cerca de 67 mil toneladas. Com aproximadamente 294 metros de comprimento total, a embarcação pode carregar até esse peso, considerando carga, combustível, tripulação e outros fatores.

Segundo a Praticagem, no momento do acidente, o navio estava carregando três mil contêineres de vários tipos, embora não haja informações detalhadas sobre o conteúdo das caixas metálicas. A embarcação atracou no terminal da DP World por volta das 3h de terça-feira (17) e deixou o Porto de Santos no mesmo horário da quarta-feira (18), após descarregar sua carga.

Este caso destaca a importância das investigações para prevenir futuros incidentes e garantir a segurança nas operações portuárias, um aspecto crucial para a economia e logística do país.