Barco com corpos encontrado no Pará tinha espaço para motor de pequeno porte, confirma Marinha
A Marinha do Brasil divulgou uma informação crucial sobre o caso do barco encontrado com nove corpos em estado de decomposição no litoral do Pará, há dois anos. Segundo a instituição, a embarcação possuía espaço adequado para a instalação de um motor de pequeno porte, um detalhe que pode auxiliar nas investigações sobre a origem e as condições da viagem.
Vítimas africanas seguem sem identificação após dois anos
A Polícia Federal continua empenhada no processo de identificação dos corpos encontrados em abril de 2024, quando pescadores localizaram a embarcação à deriva na costa de Bragança, no nordeste paraense. Até o momento, nenhuma das nove vítimas foi formalmente identificada, conforme confirmou o Itamaraty nesta segunda-feira (13).
O governo brasileiro mantém diálogo constante com as autoridades da Mauritânia para tentar viabilizar a coleta de material biológico de familiares das possíveis vítimas. Esse procedimento é essencial para permitir a identificação dos corpos através de exames de DNA.
Investigações apontam para imigrantes africanos em rota desviada
Durante as investigações, a Polícia Federal constatou que os ocupantes do barco eram imigrantes africanos. As evidências indicam que a embarcação partiu da Mauritânia com destino às Ilhas Canárias, na Espanha, mas uma corrente marítima teria desviado a rota planejada, levando-a até o litoral do Pará.
Apesar de apenas nove corpos terem sido encontrados, há fortes indícios de que a embarcação transportava mais pessoas. No interior do barco, foram coletados 27 celulares e diversas capas de chuva, itens que sugerem a presença de um número maior de ocupantes. Todo o material foi encaminhado para perícia técnica.
Circunstâncias da tragédia e sepultamento sem identificação
As investigações preliminares apontam que os ocupantes do barco teriam morrido de fome durante a viagem. Após o resgate, os corpos foram transportados para Belém em um caminhão frigorífico e sepultados no Cemitério Público São Jorge no dia 25 de abril de 2024, sem lápides que identificassem as vítimas.
Em 2025, a Superintendência da Polícia Federal informou que o inquérito do caso havia sido concluído e sugeria o arquivamento. No entanto, tanto a PF quanto o Itamaraty se recusaram a detalhar se houve pedidos de exumação dos corpos, os resultados da perícia dos celulares ou se o inquérito foi efetivamente arquivado.
Cooperação internacional para solucionar o mistério
O Ministério das Relações Exteriores, a Polícia Federal e o Governo da Mauritânia continuam dialogando para encontrar soluções que permitam a identificação das vítimas. A coleta de material biológico de familiares é vista como um passo fundamental para esclarecer as identidades e fornecer respostas às famílias afetadas por essa tragédia marítima.
Este caso complexo e trágico continua a desafiar as autoridades brasileiras e internacionais, destacando os riscos enfrentados por imigrantes em rotas perigosas e a importância da cooperação entre países para resolver mistérios que transcendem fronteiras.



