Afundamento de navio em Santos resgata memória de naufrágios históricos no litoral paulista
Afundamento em Santos lembra naufrágios históricos no litoral

Afundamento parcial de navio científico em Santos reaviva histórias de naufrágios no litoral paulista

O parcial afundamento do navio Professor W. Besnard, ocorrido na noite de sexta-feira (13) no cais do Parque Valongo, em Santos, despertou entre os moradores do litoral paulista as memórias de naufrágios marcantes que pontuam a história da região. A embarcação, que estava atracada no local desde 2024 e fora de operação desde 2008, encontrava-se em processo de reforma após ter sido doada pela Prefeitura de Ilhabela à ONG Instituto do Mar (Imar).

Ícone da oceanografia brasileira, o Professor W. Besnard foi lançado ao mar pela Universidade de São Paulo (USP) e participou de centenas de missões científicas ao longo de sua trajetória. O incidente, que deixou o navio parcialmente submerso e inclinado, apoiado no fundo do estuário, assustou testunhas e trouxe à tona outros casos graves envolvendo embarcações no porto e no litoral sul de São Paulo.

Os principais naufrágios que marcaram a história da região

Diante do ocorrido, destacam-se algumas das ocorrências mais significativas registradas na área:

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  1. Navio Ais Giorgis: Em 8 de janeiro de 1974, o navio de bandeira grega sofreu um incêndio catastrófico enquanto era descarregado no porto de Santos. Com 139 metros de comprimento e carregado de produtos químicos, o fogo iniciou-se em um dos vagões transportados. Durante as operações para desatracar a embarcação em chamas, um trabalhador portuário perdeu a vida. O navio naufragou no canal e seus últimos destroços só foram completamente removidos em 2013, após 39 anos submersos.
  2. Veleiro Kestrel: Este veleiro de três mastros encalhou na orla da praia do Embaré, em Santos, no distante ano de 1895. A embarcação inglesa ficou à deriva durante uma forte tempestade e atravessou a Baía de Santos antes de ser abandonada. Seus destroços, preservados pelo tempo, ainda podem ser avistados em dias de maré baixa, transformando-se em um sítio de interesse arqueológico monitorado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
  3. Navio Tutoya: Originalmente batizado como Mitcham e construído na Inglaterra em 1913, este cargueiro foi rebatizado várias vezes antes de receber o nome Tutoya em 1929, em homenagem a uma cidade do Maranhão. Sua história trágica ocorreu na madrugada de 1° de julho de 1943, quando foi atacado por um submarino alemão (U-513) que patrulhava a costa brasileira durante a 2ª Guerra Mundial. Sete tripulantes morreram no incidente. Seus destroços foram localizados por mergulhadores entre Peruíbe e Iguape, com confirmação oficial em dezembro de 2025.
  4. Cargueiros Araponga e Irmãos Gomes: Localizados na Ilha da Queimada Grande pelo mesmo grupo de pesquisadores que encontrou o Tutoya, estes navios também têm histórias de naufrágio. O Araponga, construído em 1917, afundou em junho de 1943 após colidir com outro cargueiro a vapor, o Venus, resultando em sete marinheiros feridos. Já o Irmãos Gomes naufragou em dezembro de 1967 após colidir com pedras submersas durante uma travessia com baixa visibilidade.
  5. Navio Moreia: Diferente dos outros, o Moreia foi um dos primeiros naufrágios artificiais do Brasil, ocorrido no início da década de 1990. Este antigo navio pesqueiro, com cerca de 15 metros de comprimento, foi intencionalmente afundado na Laje de Santos e transformou-se em atração turística para mergulhadores, permitindo visitas a aproximadamente 22 metros de profundidade, embora não seja permitida a entrada no interior da embarcação.

Estes episódios, resgatados pela memória coletiva diante do afundamento do Professor W. Besnard, ilustram a rica e por vezes trágica relação do litoral paulista com o mar, marcada por acidentes portuários, embates da guerra e encalhes históricos que continuam a fascinar pesquisadores e moradores.

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