O policial militar Richard de Souza, morador do edifício atingido por um monomotor em Belo Horizonte, relatou os momentos de tensão após a queda da aeronave na última segunda-feira (4). Em entrevista, ele destacou que o treinamento recebido na corporação foi fundamental para salvar a vida de um dos sobreviventes. “Eu consegui visualizar que aquele rapaz eu poderia salvar a vida dele, estancando a hemorragia”, afirmou.
Detalhes do acidente
O avião, que havia decolado do Aeroporto da Pampulha com destino a São Paulo, levava cinco pessoas a bordo. Poucos minutos após a decolagem, perdeu altitude e colidiu contra um prédio de três andares. Três ocupantes morreram no local ou horas depois. Richard, que reside no segundo andar do edifício com a esposa e o filho de 5 anos, ouviu um forte estrondo e sentiu o prédio tremer. “Minha esposa deu um grito bem alto. Eu fiquei com medo de desmoronar ou explodir”, contou.
Resgate heroico
Após retirar a família do prédio, o policial retornou para auxiliar outros moradores e vítimas. “Eu sabia que no prédio havia muitos idosos e crianças recém-nascidas”, justificou. Na escada, encontrou Arthur Berganholli, de 25 anos, que havia sobrevivido à queda. “A perna estava fraturada e tinha um sangramento intenso”, descreveu. Richard subiu até seu apartamento, pegou um torniquete e o aplicou próximo à virilha do jovem para conter a hemorragia. “Eu não sou da saúde, tenho apenas treinamento”, ressaltou.
Dos cinco ocupantes, três foram resgatados com vida: Arthur, seu pai Leonardo Berganholli (50 anos) e Emerson Cleiton Almeida (53 anos). Leonardo morreu horas depois no hospital. Os dois sobreviventes permanecem internados em hospitais de Belo Horizonte; Emerson com graves lesões no tórax e abdômen, e Arthur com fratura em uma perna. “A gente não chegou a comentar sobre o acidente em si com ele. A gente está focado mesmo na recuperação e no bem-estar”, disse Júlia Beganholi, irmã de Arthur. “A partir do momento que aconteceu o acidente, já não lembra de mais nada”, afirmou Liza Schofiel, namorada do jovem.
Investigação em andamento
Imagens obtidas pelo programa Fantástico mostram o momento da colisão e os danos no prédio: parte da fachada foi destruída, estruturas do corredor caíram e a cozinha de um apartamento vazio foi atingida. A delegada Andrea Pochmann, da Polícia Civil de Minas Gerais, informa que aguarda o relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) para verificar possíveis falhas humanas ou técnicas. O CENIPA, em nota, afirmou que a conclusão da investigação ocorrerá no menor prazo possível, dependendo da complexidade e da necessidade de descobrir fatores contribuintes.
O especialista José Cândido Almeida Jr., professor da PUC-MG, analisou as imagens: “As imagens dão a impressão que o avião tinha uma dificuldade de ascender. Isso pode ser um indício de que aerodinamicamente o avião não estava respondendo aos comandos do piloto.” A Defesa Civil já autorizou o retorno dos moradores ao Condomínio Juliano.



