Um vídeo mostra as buscas pelo mecânico Adenir Rodrigues da Conceição, que ficou 20 dias desaparecido em uma região de mata no sul do Tocantins. Ele está em processo de recuperação e deverá passar por um procedimento no esôfago para a colocação de um balão em uma área do órgão que sofreu estreitamento, possivelmente devido ao longo período sem alimentação. Segundo especialistas, o procedimento não apresenta alto risco.
Como funciona o procedimento
O g1 conversou com o cirurgião do aparelho digestivo João Paulo Pacini de Barcelos, que explicou como é realizada a inserção do balão e para que serve esse tipo de intervenção. O médico não tem relação direta com o paciente e, por isso, não teve acesso ao prontuário. A entrevista foi baseada nos aspectos gerais do procedimento.
Segundo o cirurgião, o balão é colocado durante um procedimento endoscópico, inflado na região onde é necessária a dilatação e depois retirado. O médico explica que, a princípio, o período em que o mecânico ficou sem se alimentar não teria relação com a necessidade deste procedimento.
“O balão é passado por endoscopia para fazer uma dilatação de alguma área estreitada no esôfago. Algum estreitamento, alguma estenose, aí usa um balão dilatador. O balão não fica lá. É feito o procedimento e retirado. A ideia é abrir uma área que está estreitada, uma área que está estenosada e que possa estar impossibilitando ele de se alimentar adequadamente”, detalhou.
Detalhes técnicos do balão
Os balões são pneumáticos e podem ser preenchidos com líquido de contraste, sendo de uso único, conforme o médico. Esses materiais são considerados dispositivos de alto custo e se enquadram nas Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME).
“O balão entra esvaziado, é identificada a área que está estreitada. Vai ser preenchido o balão para abrir essa área, para depois o paciente conseguir se alimentar de uma forma mais satisfatória. A princípio, pelo que eu pude extrair da matéria sobre o caso, seria isso. Vi que ele fala que foi feita uma biópsia, então provavelmente está guardando esse resultado dessa biópsia, para ver se realmente a indicação para ele é uma dilatação endoscópica por balão pneumático”, explicou o cirurgião.
Relembre o caso
Adenir desapareceu no dia 14 de março de 2026 e foi encontrado por um caminhoneiro no dia 3 de abril. Durante a maior parte desse período, ele não se alimentou e passou os dias apenas bebendo água. Por ser ex-brigadista, utilizou técnicas de sobrevivência, como colocar folhas nos pés para caminhar sobre o solo pedregoso. Nesse período, perdeu 11 quilos.
O mecânico trabalhava em uma fazenda em Cariri do Tocantins quando saiu em direção a um córrego e não foi mais visto. Uma força-tarefa realizou buscas na região durante oito dias, mas, por falta de pistas, encerrou as atividades. Familiares e voluntários continuaram as buscas por conta própria.
Adenir conta que estava com a sensação de estar sendo perseguido e, por isso, não queria ser encontrado. Ele andava dentro da água para não deixar rastro. “Era o que dificultava as buscas do pessoal que estava à minha procura”, disse. Durante as buscas, o mecânico chegou a ser avistado por drones, mas a equipe não conseguiu fazer o resgate. No dia 2 de abril, Adenir percebeu que a saúde estava em situação crítica e decidiu pedir ajuda.



