O Itaú Unibanco classificou como exagero o alerta de um suposto 'abismo fiscal' nas contas públicas brasileiras em 2027, mas reconheceu que a trajetória fiscal exige reformas estruturais para evitar um desequilíbrio sustentado. A avaliação consta em relatório divulgado nesta terça-feira (21) pela instituição.
Itaú contesta alarmismo, mas cobra ajustes
Segundo o banco, projeções que indicam um colapso fiscal iminente não levam em conta fatores como o crescimento econômico e a arrecadação adicional gerada por medidas já implementadas. 'O termo abismo fiscal parece exagerado, pois o país ainda tem espaço para ajustes graduais, mas é inegável que a dinâmica das despesas obrigatórias pressiona o orçamento', afirma o relatório, assinado pela equipe de macroeconomia do Itaú.
O documento destaca que, sem mudanças no arcabouço fiscal, o déficit primário pode se aproximar de 1% do PIB em 2027, mas isso não configura uma crise iminente. 'O que preocupa é a rigidez orçamentária: cada vez mais recursos são comprometidos com gastos obrigatórios, como previdência e pessoal, reduzindo a margem para investimentos e políticas anticíclicas', explica o texto.
Reformas estruturais são o caminho
O Itaú defende que a solução passa por reformas como a administrativa e a tributária, além de um controle mais efetivo dos gastos públicos. 'A reforma administrativa pode gerar economia de até R$ 300 bilhões em uma década, enquanto a tributária simplifica o sistema e reduz distorções', calcula o banco. A instituição ressalta que o governo já deu passos importantes, como a aprovação do novo arcabouço fiscal, mas alerta que 'o ritmo das reformas precisa ser acelerado para garantir a sustentabilidade fiscal no médio prazo'.
O relatório também cita a necessidade de revisão de subsídios e benefícios fiscais, que somam cerca de 5% do PIB anualmente. 'Sem enfrentar esses gastos tributários, qualquer ajuste será insuficiente', pondera.
Impacto nos mercados e na bolsa
A percepção fiscal tem impacto direto sobre os ativos brasileiros. O Ibovespa opera sem força nesta terça-feira, tentando manter os 173 mil pontos, em meio à cautela geopolítica e à espera de definições sobre a Vale. 'O mercado está atento aos sinais de compromisso fiscal, e qualquer ruído nessa área pode gerar volatilidade', comenta um analista de renda variável.
O Itaú BBA, por sua vez, projeta um segundo trimestre morno para o varejo, com apostas em Smart Fit e C&A. Já os FIIs ganharam 41 mil novos investidores em junho, totalizando 3,25 milhões na B3, segundo dados da instituição.
Dividendos e oportunidades
No mercado de renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs continuam atrativas, com yields de até 1,80% para alguns FIIs que pagam dividendos hoje. O Itaú recomenda cautela na seleção de ativos, priorizando emissões de bancos de primeira linha e títulos indexados à inflação.
Para o longo prazo, o banco vê potencial em ações que bateram o Ibovespa nos últimos cinco anos, com retornos de até 1.097% sobre o CDI. 'São empresas com fundamentals sólidos e exposição a setores resilientes, como saneamento, energia e tecnologia', diz o relatório.



