A Petrobras recebeu nesta quinta-feira (22) a primeira parcela do programa de subvenção ao diesel, no valor de R$ 1,7 bilhão. O montante faz parte do acordo firmado entre a estatal e o governo federal para compensar a diferença entre o preço internacional do petróleo e o praticado no mercado interno, garantindo estabilidade nos preços dos combustíveis.
Detalhes do pagamento
O pagamento foi realizado pelo Ministério de Minas e Energia, por meio da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Segundo a pasta, a subvenção total prevista para o ano de 2026 é de R$ 8,5 bilhões, sendo que esta primeira parcela corresponde a 20% do total. O restante será pago em parcelas mensais até dezembro.
De acordo com o presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, o recurso é fundamental para manter a competitividade da empresa e evitar repasses abruptos aos consumidores. “Essa subvenção nos permite equilibrar as contas sem pressionar a inflação, especialmente em um momento de recuperação econômica”, afirmou.
Impacto no mercado e no consumidor
A medida visa conter a alta do diesel, que impacta diretamente o custo do transporte de cargas e, consequentemente, os preços de diversos produtos. A Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam) celebrou o repasse, mas alertou para a necessidade de monitoramento contínuo. “É um alívio, mas precisamos de garantias de que os preços não voltarão a subir descontroladamente”, disse o presidente da entidade, José da Fonseca Lopes.
Especialistas apontam que a subvenção pode evitar um impacto de até 0,5 ponto percentual na inflação oficial (IPCA) neste ano. O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, destacou que “a medida é bem-vinda, mas não resolve o problema estrutural dos preços dos combustíveis no Brasil, que depende de uma política de longo prazo para refinarias e biocombustíveis”.
Contexto do programa
O programa de subvenção ao diesel foi criado em 2023, após sucessivos aumentos no preço do combustível. Desde então, o governo já destinou mais de R$ 30 bilhões para a iniciativa. A nova parcela faz parte de um acordo renovado em junho, que prevê reajustes trimestrais com base na cotação do barril de petróleo Brent e na taxa de câmbio.
A Petrobras informou que os recursos serão utilizados para abater dívidas de curto prazo e investir em manutenção de refinarias. A empresa também se comprometeu a manter a política de preços alinhada ao mercado internacional, evitando distorções que geraram prejuízos no passado.
Reações políticas
A oposição no Congresso criticou o valor da subvenção, argumentando que os recursos poderiam ser aplicados em saúde e educação. O deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ) afirmou: “É um dinheiro que sai do contribuinte para garantir lucro de uma empresa que deveria ser autossustentável.” Já o governo defende a medida como essencial para a estabilidade econômica.



