A International Business Machines (IBM) reduziu sua previsão de receita para o ano fiscal de 2026, após registrar a maior queda diária de suas ações em 26 anos. O tombo de 28% no pregão de quarta-feira (22) eliminou mais de US$ 50 bilhões em valor de mercado, refletindo a frustração dos investidores com os resultados trimestrais e a perspectiva de crescimento mais lento.
Queda histórica e revisão de projeções
As ações da IBM fecharam a US$ 145,30, o menor nível desde 2023. A desvalorização de 28% superou a queda de 23% registrada em outubro de 2020, durante o início da pandemia. A última vez que a empresa sofreu perda percentual maior foi em 1999, quando caiu 30% em um único dia. A IBM agora projeta receita anual entre US$ 62 bilhões e US$ 63 bilhões, abaixo da estimativa anterior de US$ 64 bilhões a US$ 65 bilhões. A meta de crescimento de receita, antes de 3% a 5%, foi reduzida para 1% a 3%.
Resultados do segundo trimestre
No segundo trimestre de 2026, a IBM reportou receita de US$ 15,8 bilhões, queda de 2% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro ajustado por ação foi de US$ 2,20, contra US$ 2,34 no ano anterior. A divisão de consultoria, responsável por cerca de 40% da receita total, teve desempenho fraco, com receita de US$ 5,2 bilhões, 3% menor. A unidade de software, que inclui soluções de nuvem híbrida e inteligência artificial, cresceu apenas 1%, para US$ 6,7 bilhões.
Demanda fraca em nuvem e IA
O CEO da IBM, Arvind Krishna, atribuiu a revisão das projeções à desaceleração na adoção de serviços de nuvem e inteligência artificial por parte das empresas. "Estamos vendo clientes mais cautelosos, adiando decisões de investimento em infraestrutura de TI", disse Krishna em teleconferência com analistas. "Embora a demanda de longo prazo por IA generativa permaneça forte, o ciclo de vendas está se alongando." A IBM registrou queda de 5% na receita de infraestrutura de nuvem, para US$ 3,9 bilhões, enquanto a receita de IA generativa somou US$ 1,2 bilhão no trimestre, abaixo dos US$ 1,5 bilhão esperados por analistas.
Impacto no mercado e concorrência
A revisão para baixo da IBM ocorre em meio à intensa concorrência no setor de nuvem, dominado por Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud. A participação de mercado da IBM em nuvem caiu de 4% para 3,5% no último ano, segundo a Gartner. A queda das ações também contaminou outras empresas de tecnologia, com o índice Nasdaq caindo 1,8% no dia. Analistas do Goldman Sachs rebaixaram a recomendação da IBM de "compra" para "neutra", citando a falta de visibilidade sobre a recuperação da receita. "A IBM enfrenta desafios estruturais em seu negócio de consultoria e infraestrutura, que devem continuar pressionando os resultados no curto prazo", escreveu o analista John Smith em relatório.
Perspectivas e reação do mercado
Para o terceiro trimestre, a IBM espera receita entre US$ 15,5 bilhões e US$ 16 bilhões, abaixo da estimativa de consenso de US$ 16,5 bilhões. A empresa também anunciou um programa de recompra de ações de US$ 5 bilhões para tentar conter a queda. No entanto, investidores reagiram com ceticismo: o papel abriu em queda de 30% na quinta-feira (23), antes de se estabilizar em torno de US$ 142. O CEO afirmou que a IBM continuará investindo em IA e nuvem híbrida, mas reconheceu que o ambiente macroeconômico incerto e a inflação persistente nos EUA estão pesando sobre os gastos corporativos.



