A rede de farmácias Pague Menos divulgou nesta segunda-feira (3) um lucro líquido de R$ 92,3 milhões no segundo trimestre de 2026, um avanço de 41,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio acima das expectativas do mercado, que projetava um lucro de cerca de R$ 80 milhões, segundo levantamento da Bloomberg.
O desempenho foi impulsionado por um crescimento de 12,5% na receita bruta, que somou R$ 3,2 bilhões, e por uma redução de 1,2 ponto percentual nas despesas operacionais, que caíram para 28,4% da receita líquida. A companhia também se beneficiou do aumento de 8,3% nas vendas em mesmas lojas (same store sales), indicador que mede o desempenho de unidades abertas há mais de 12 meses.
Expansão e eficiência operacional
No trimestre, a Pague Menos inaugurou 24 novas lojas, encerrando junho com 1.580 unidades em todo o país. A empresa manteve seu plano de expansão, mas com foco em eficiência: o investimento em aberturas foi de R$ 180 milhões, 15% menor do que no mesmo período de 2025, refletindo a otimização de custos de implantação.
“Nosso modelo de expansão está mais disciplinado, priorizando regiões com maior potencial de retorno. Além disso, as iniciativas de controle de despesas começaram a dar frutos, o que se reflete na margem”, afirmou o diretor-presidente da companhia, João Carlos Paes, em teleconferência com analistas.
A margem bruta subiu 0,8 ponto percentual, para 31,2%, graças a melhores condições de compra e ao aumento da participação de produtos de maior valor agregado, como dermocosméticos e genéricos de marca própria.
Ebitda e alavancagem
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 248,5 milhões, alta de 28,7% na comparação anual, com margem de 8,4%. A geração de caixa operacional somou R$ 210 milhões, permitindo à empresa reduzir sua alavancagem de 2,3 para 2,1 vezes a dívida líquida sobre Ebitda.
A dívida líquida ficou em R$ 1,9 bilhão, e o caixa total disponível era de R$ 1,1 bilhão ao final do período. A companhia não realizou recompras de ações no trimestre, mas manteve o programa de recompra aprovado em março, com 3,2 milhões de papéis já adquiridos.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre, a Pague Menos projeta manter o ritmo de crescimento de vendas em dígitos altos, com a expectativa de que o mercado farmacêutico continue aquecido, impulsionado pelo envelhecimento da população e pelo lançamento de novos medicamentos. A empresa também planeja ampliar sua plataforma digital, que já responde por 12% das vendas totais.
“Acreditamos que o segundo semestre será tão bom quanto o primeiro, com a continuidade do crescimento das vendas e a manutenção da disciplina de custos. Nosso foco é gerar valor para o acionista de forma sustentável”, completou Paes.
O conselho de administração aprovou a distribuição de juros sobre capital próprio no valor de R$ 40 milhões, a serem pagos até dezembro, equivalente a R$ 0,25 por ação.



