O deputado federal Canella (PL-RJ) anunciou nesta terça-feira que não disputará o Senado na eleição de outubro. A decisão, tomada sob forte pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, amplia a indefinição na chapa bolsonarista no Rio de Janeiro, que já enfrentava dificuldades para fechar um nome competitivo.
Pressão interna e falta de viabilidade eleitoral
Segundo fontes ligadas ao PL fluminense, Canella vinha sendo cobrado por pesquisas internas que apontavam baixa intenção de voto, em torno de 8%, insuficiente para garantir uma das duas vagas em disputa. Aliados de Bolsonaro, que monitoram o cenário nacional, teriam orientado a retirada para evitar um desgaste maior e preservar a coligação.
Em nota, Canella afirmou que a decisão foi "pessoal e estratégica", mas admitiu que conversou com dirigentes partidários. "Entendo que o projeto coletivo precisa de um nome com maior capilaridade. Vou continuar trabalhando pela eleição de nossos candidatos", disse.
Sucessão aberta e nomes cotados
Com a desistência, o PL e o PP, que formam o núcleo bolsonarista no estado, buscam alternativas. Entre os cotados estão o deputado federal Gutemberg Reis, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves e a vereadora carioca Tânia Bastos. Nenhum deles, porém, confirmou interesse público.
O cientista político Marcelo Dias, da UERJ, avalia que a indefinição prejudica a campanha. "O tempo está curto, e a falta de um nome consolidado impede a construção de uma narrativa forte. O bolsonarismo no Rio precisa de um candidato que una o eleitorado conservador e o centro."
Impacto na corrida eleitoral
A desistência de Canella pode beneficiar candidatos de outros partidos, como o atual senador Alessandro Vieira (PSDB) e o ex-ministro Sergio Moro (União Brasil), que já declararam pré-candidatura. Pesquisa do Instituto DataRio, divulgada na semana passada, mostra que 34% dos eleitores ainda não sabem em quem votar para o Senado.
O prazo para registro de candidaturas termina em 15 de agosto, e os partidos têm até lá para definir seus nomes. A pressão sobre Bolsonaro aumenta, pois ele precisa indicar um substituto que mantenha a força da chapa no estado.
Reações no meio político
O presidente do PL no Rio, deputado federal Altineu Côrtes, lamentou a decisão, mas disse que o partido está "mobilizado" para encontrar um nome "à altura do projeto". Já o PSDB comemorou, afirmando que a desistência "abre espaço para o centro democrático".
Canella, que está no segundo mandato, deve apoiar a candidatura de Bolsonaro à Presidência e pode concorrer à reeleição para a Câmara. A decisão final será tomada em convenção partidária marcada para 20 de agosto.



